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ENCONTRO DE COMUNICADORES BUSCA VISIBILIZAR A AMAZÔNIA

Comunicadores profissionais e populares da Companhia de Jesus na Amazônia que atuam em diversas frentes de serviços como educação popular, socioambiental, espiritualidade juventudes e paróquias, reunidos em Manaus – AM, de 05 a 08 de março, discutiram a visibilidade da Amazônia a partir da Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais 2020 e a narrativa do processo sinodal que culminou com a Exortação Apostólica “Querida Amazônia”. 

O 2º Encontro de Comunicadores da Preferência Apostólica Amazônia (PAAM) da Província dos Jesuítas do Brasil deu ênfase à ação comunicativa de evidenciar as realidades do território e seus povos em sintonia com os quatro sonhos do Pontífice a partir do lugar de fala em que cada comunicador ou comunicadora é atuante. Na programação estavam incluídas oficinas e minicursos técnicos-formativos (redação de notícia, fotografia, audiovisual, assessoria de imprensa, etc.), combinando espaços de mística amazônica, espiritualidade inaciana, roda de conversa e momentos reflexivos, criativos e artísticos. Além de ser uma ocasião para a convivência e partilha entre os participantes que estavam representados pelos Estados do Amazonas, Pará e Roraima. 

O aprofundamento do tema do encontro “A vida se faz história: por uma narrativa amazônica sonhamos e dizemos quem somos” teve a contribuição do Diego Aguiar, articulador do Eixo Formação e Métodos Pastorais da Rede Eclesial Panamazônica (REPAM Brasil, Regional Norte 1) que dedicou um tempo a mencionar as principais partes do discurso da Mensagem do Papa Francisco aos comunicadores e sugeriu perguntas ao grupo como: “Em que essa mensagem nos provoca?”, “Quais narrativas se apresentam na realidade amazônica?” e “Quais são os nossos sonhos para ela?”. O momento foi propício para discutir as disputas de narrativas que existem na sociedade e entre elas àquelas que revelam fatos deturpados que contradizem a cultura do “Bem Viver” e ameaçam o território e a vida dos povos da floresta e das cidades. A discussão levou os comunicadores da PAAM a refletirem as narrativas que eles comunicam, a importância de contar boas histórias e denunciar as injustiças na Amazônia, uma vez que se percebem corresponsáveis pelo impacto na transformação da realidade. 

Seguindo a reflexão das boas narrativas, Aguiar partilhou com os comunicadores o percurso do caminho sinodal desde a convocação do sínodo até os quatro sonhos de Francisco (sonho social, cultural, ecológico e eclesial), animando-os a avançarem na construção de narrativas que nutram a vida. Explicou que “o sínodo, antes de tudo, foi um grande processo de escuta, e os comunicadores devem estar comprometidos com este modelo de narração, na qual as vozes dos povos são escutadas e evidenciadas”, comentou ele. 

Na oportunidade, esteve presente, no momento da roda de conversa, o indígena Pixi Kata Matis do Vale do Javari, de Atalaia do Norte, uma região que entre outros povos abriga a maior concentração de povos indígenas isolados do mundo. 

A região traz em sua história eventos traumáticos de indígenas em contato com não-indígenas. Nos anos 70, o contato acarretou doenças que inclusive dizimaram alguns povos indígenas, é o caso dos matis que perderam um terço da sua população com epidemias de gripe e outras doenças infectocontagiosas. Sobre o episódio, Pixi comentou: “Sou professor e um dos motivos da educação ser importante pra nós é porque ela resgata a nossa história e nos ensina a resistir”. Pixi Kata Matis é professor na comunidade indígena Tawaya e fortalece a corrente de luta na educação indígena. 

Dentro das atividades do Encontro de Comunicadores foram mencionadas também algumas diretrizes da Igreja para a Comunicação. A Ir. Joana Puntel, Doutora na área e uma das pessoas referenciais na construção do Diretório de Comunicação no Brasil, documento 99 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), esteve explicando a importância da formação para comunicadores, sobretudo o olhar sobre este e outros documentos da Igreja. Segundo ela “a Igreja no Brasil vem acompanhando o processo comunicativo com o intuito de atualizar a sua missão no mundo e para isso precisa aprimorar as suas estratégias, além de levar em conta o protagonismo dos leigos e leigas na comunicação evangelizadora.” 

É importante lembrar que os leigos e leigas tem um papel fundamental quando se trata da caminhada da Igreja na Amazônia e as escutas sinodais evidenciaram esse rosto laical. Daí nasce a necessidade e urgência de promover espaços que permitam processos formativos contínuos para agentes pastorais ou profissionais da comunicação. Um esforço para visibilizar a Amazônia pela atuação determinante dos leigos e leigas. 

Outro momento importante do Encontro foi o espaço lúdico da “contação de histórias” que foi pensado a partir do gênero discursivo narrativo das fábulas, que são caracterizadas positivamente por disseminar valores essenciais para as relações sociais como respeito, ética, etc. O momento foi construído com a colaboração da Profa. Mestra em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Tássia Patrícia da Silva. 

A professora contextualizou a narrativa historiográfica da realidade negra, sobretudo da mulher jovem. Estudiosa da área em etnicidade e também mulher jovem negra falou acerca da autoafirmação. De acordo com ela “a mulher negra mais do que nunca está produzindo novas narrativas na sociedade, visibiliza a discussão da sua identidade cultural e assume uma atitude empoderada de se autoafirmar o que colabora também com o empoderamento de outras mulheres”, comentou. As questões afrodescendentes e étnicas pautadas durante o encontro quis chamar atenção dos comunicadores para as vozes dos povos da Amazônia a partir do lugar de fala dos seus interlocutores. 

No final do Encontro, o Delegado para a Preferência Apostólica Amazônia – PAAM da Companhia de Jesus, Pe. David Romero, SJ, reconheceu a importância do encontro anual de comunicadores das obras e serviços dos jesuítas como um meio e compromisso de proteger e defender a Casa Comum, sobretudo a Amazônia. Ele que também esteve na abertura falando acerca do que sonhamos com e para a PAAM, considerando as motivações das preferências apostólicas universais que foram promulgadas em fevereiro de 2019, 

Pela Assessoria de Comunicação da PAAM, 

Ana Lúcia T. Farias, publicitária.