Iniciativas comunitárias inovadoras na construção da sociedade de bem viver
O projeto “Iniciativas comunitárias inovadoras na construção de sociedade de bem viver” é uma proposta construída a partir do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental (FMCJS), na perspectiva de nosso espaço de intercâmbios “Interligação dos Biomas”, que busca o enfrentamento integrado à emergência climática e a construção de alternativas territoriais em rede. As ações do projeto têm por base a realização de iniciativas, uma em cada bioma, de enfrentamento da crise climática e de construção de alternativas territoriais que tenham continuidade, possam ser multiplicadas nos diferentes territórios brasileiros e influenciem a formulação de políticas públicas.
As inovações que abrem caminhos para o enfrentamento do que causa e agrava as mudanças climáticas são obras das comunidades populares nas diferentes regiões e biomas do país, como a produção agroecológica de alimentos, as agroflorestas, a recuperação das condições de vida na região semiárida, a disseminação da energia fotovoltaica descentralizada, a construção de propostas de recuperação dos biomas etc. Entre outros, um grande desafio está posto: tornar estas iniciativas inovadoras populares mais conhecidas pelo povo brasileiro e fazer que elas sejam a base demonstrativa de um projeto socioeconômico que oriente o Brasil a ser parte efetiva do esforço humano para reverter o colapso socioambiental em curso com a construção de comunidades e sociedades de bem viver.
O início do projeto se deu com um amplo diálogo, no âmbito do FMCJS, junto a representantes de cada bioma. No Fórum, contamos com um espaço chamado “Interligação dos Biomas”, onde buscamos integrar as ações e reflexões produzidas nos territórios. E foi nesse espaço que construímos as bases de nossas ações. As organizações e pessoas que compõem o Fórum em cada bioma se reuniram para escolher uma iniciativa a ser construída e/ou fortalecida. A partir disso, elaboraram um projeto com todas as informações necessárias sobre o território, o foco da ação, os objetivos, as etapas, o orçamento e os resultados esperados. Esse processo inicial se configurou em um grande intercâmbio formativo sobre a elaboração de projetos, o que já percebemos como um aprendizado coletivo.
Os projetos de cada bioma trouxeram uma enorme diversidade de ações, que superaram nossas expectativas e alargaram o sentido do que é uma iniciativa inovadora. Abaixo, um breve resumo das propostas aprovadas e que estarão em curso até junho de 2026:
Bioma Amazônia – “Saberes Ancestrais e Justiça Climática: Juventudes Amazônidas noEnfrentamento da Crise Climática, Banzeirando rumo a COP 30”. O projeto visa ser um espaço de escuta ativa, formação crítica e produção coletiva de narrativas sobre justiça climática a partir dos territórios. Busca também ampliar o debate sobre justiça climática e racismo ambiental com juventudes dos estados do Pará, Rondônia, Roraima, Amazonas, incluindo jovens da Bolívia e Venezuela; e estimular o intercâmbio entre jovens da Amazônia.
Bioma Caatinga – “Iniciativas comunitárias inovadoras na construção de sociedade do bem viver: Pedagogia da Alternância como Política para a Educação do Campo e no Campo da Caatinga”. O Projeto pretende contribuir na estruturação hídrica e agrícola da escola, devido aos longos períodos de estiagem, nas dimensões de água para o uso doméstico e para a produção de alimentos, bem como na formação dos estudantes nas áreas de comunicação social, produção agrícola e participação social.
Bioma Cerrado – “Fortalecimento de produção agroecológica e geração de renda com implantação de biodigestores”. O projeto busca construir biodigestores de forma participativa com as comunidades, gerando conhecimento e conscientização de que a transformação e o reaproveitamento de resíduos podem gerar renda e diminuir impactos ambientais; Fortalecer a segurança e a soberania alimentar, diminuindo a necessidade de adubos externos e a compra de gás; e capacitar a comunidade para o uso e a manutenção do biodigestor por meio de oficinas e rodas de conversa, garantindo a sustentabilidade da ação.
Bioma Mata Atlântica – (1 – PE) “Fortalecimento da agricultura sintrópica por meio de iniciativa intitulada Escola da Terra”. O projeto atual propõe desenvolver atividades formativas em agroecologia junto à Comunidade Padre Tiago, em Moreno – PE, a fim de garantir a construção de um sistema agroflorestal comunitário. (2 – SC) “Biodigestor: Transformando matéria orgânica em Energia e Fertilizante”. O projeto visa a construção e implementação de um biodigestor em uma aldeia indígena (Tekoá Pirarupu, localizada no Morro dos Cavalos, município de Palhoça SC), utilizando matéria orgânica local (esterco animal e resíduos vegetais) para produção de biogás e biofertilizante.
Bioma Pampa – “Resistência e adaptação às mudanças climáticas na Pampa esquecida”. O projeto busca Implantar tecnologia social da “barragem subterrânea” (desenvolvida no contexto do semiárido) em uma comunidade de pecuaristas familiares tradicionais do Pampa, para adaptação às mudanças climáticas; e realizar processos formativos no sentido
de ampliar o protagonismo e a voz de comunidades tradicionais Kilombolas frente ao avanço de megaprojetos que impactam suas identidades, modos de vida e territórios tradicionais no bioma Pampa.
Bioma Pantanal – “Feira de Experiências Jubilar – 25 anos”. O projeto busca fortalecer as experiências construídas ao longo dos 25 anos pelo Comitê Popular do Rio Paraguai, por meio de ações territoriais e exposição para socialização; e realizar formações, intercâmbios para a capacitação dos participantes nos cuidados com as Águas e Rios na relação com o Bioma Pantanal.
Bioma Sistema Costeiro Marinho – “Planejamento, Estruturação da atividade de turismo de base comunitária e Fortalecimento da tecnologia social de quintais produtivos na comunidade quilombola pesqueira de Porto Grande”. O projeto busca apoiar as iniciativas de resistências e consolidar as ações de adaptação à crise climática através do planejamento, estruturação da visitação turística e de estudo e fortalecimento da produção de quintais produtivos na comunidade quilombola pesqueira de Porto Grande.
