Notícias

A mudança climática e a Rio+20

30/11/2011

 
“A crise financeira monopoliza emoções; a mudança climática, atualmente, não é prioridade mundial e, nesse cenário, será relativizada durante a Rio+20″, avalia Luiz Pinguelli Rosa, físico, é diretor da Coppe-UFRJ (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e secretário do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e ex-presidente da Eletrobrás (2003-2004), em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 30-11-2011.

Eis o artigo.

Foi divulgada recentemente a proposta do Documento de Contribuição Brasileira à Conferência Rio+20. O Itamaraty teve papel importante, ao lado do Ministério do Meio Ambiente, na elaboração do documento, com base nos trabalhos de comissão que promoveu consultas à sociedade e a órgãos do governo. A julgar pelo texto, a questão da mudança climática não terá prioridade na parte oficial daRio+20.

O documento a inclui no capítulo sobre desafios do desenvolvimento sustentável, entre 25 itens, cuja relevância é reconhecida como erradicação da pobreza extrema, que ocupa o primeiro lugar. Embora a mudança climática tenha influência entre vários desses itens, o documento não aponta como essa transversalidade será tratada e relativiza o tema na Rio+20.

A negociação na Convenção-Quadro da ONU, originada na Rio-92, não vai bem. A meta preliminar era de que, no ano 2000, os países desenvolvidos e ex-comunistas reduzissem suas emissões dos gases do efeito estufa ao valor que tinham em 1990, em particular o CO2, principal responsável pelo aquecimento global. Como as emissões não estavam sendo reduzidas, ao contrário, aumentavam, na Conferência de Kyoto, em 1997, mudaram-se as metas e o prazo, que se esgota em 2012, ano da Rio+20.

Os EUA nem mesmo ratificaram o Protocolo. Portanto, a redução mundial das emissões até 2012 ficará muito abaixo da necessária para se chegar ao fim do século dentro do limite de 2 graus Celsius de aquecimento. As mudanças climáticas trarão riscos para o futuro da humanidade. A redução das grandes geleiras é um indício dado pelo IPCC.

Os países em desenvolvimento tendem a aumentar emissões com o crescimento econômico, seguindo os padrões de produção e de consumo dos países desenvolvidos, que são trazidos pelas grandes empresas transnacionais. Por outro lado, as classes de renda mais alta têm alto consumo de energia per capita, enquanto a população pobre tem consumo de energia muito baixo.

Assim, a desigualdade na emissão de gases do efeito segue a desigualdade na distribuição de renda. Deve-se resolver o problema das emissões juntamente com o da exclusão. Doze milhões de brasileiros não tinham luz elétrica no início do Programa Luz para Todos.

Na Conferência de Copenhague, em 2009, o Brasil assumiu o compromisso de reduzir, em 2020, voluntariamente – pois não está obrigado pela Convenção-Quadro -, as suas emissões em até 38,9% da emissão projetada para aquele ano.

A maior parte vem do desmatamento, que tem sido reduzido, embora haja dúvidas neste ano. Para se chegar a esse compromisso, houve um processo no qual o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticasteve uma relevante contribuição.

O presidente Lula teve importante papel em Copenhague, onde compareceu com a futura presidente Dilma e protestou contra o rumo da Conferência em direção ao fracasso, que acabou ocorrendo, apesar do compromisso brasileiro.

A Conferência do ano seguinte, 2010, em Cancún, não avançou muito; possivelmente, esta é a tendência da Conferência de Durban, que ocorre agora.

A prioridade mundial, hoje, não é a mudança climática. A crise financeira monopoliza as emoções: basta ver a reação à possibilidade de a Grécia submeter a um referendo popular as condições exigidas pela Alemanha e pela França para renegociarem sua dívida.

Só faltou a União Europeia proibir a leitura de “A República”, de Platão, como obra subversiva.

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=49965

 

IHU

Brasil subaproveita seu potencial em energias renováveis

 

30/11/2011

O Brasil ocupa uma posição de destaque na produção de energias renováveis, mas “poderia fazer mais esforços” em relação às energias solar e eólica, segundo a Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que publicou nesta terça-feira um relatório sobre o tema.

A reportagem é de Daniela Fernandes e publicada pela BBC Brasil, 29-11-2011.

“O Brasil, devido ao seu clima e à sua superfície, possui um enorme potencial em termos de energia eólica e solar, mas não explora de forma suficiente sua capacidade nessas áreas”, disse à BBC Brasil Anne Miroux, diretora do relatório Tecnologia e Inovação – Potencialização do Desenvolvimento com Energias Renováveis, da Unctad.

Ela diz que o Brasil se concentra em setores “maduros”, como os biocombustíveis e a geração de energia hidrelétrica, criados há décadas. “O Brasil está entre os principais países que produzem energias renováveis, mas não em termos de energias modernas, como a eólica e a solar, nas quais nos focalizamos hoje”, dizMiroux.

Investimento

O relatório da Unctad revela que o Brasil foi o quinto país que mais investiu em energias limpas no ano passado, totalizando a soma de US$ 7 bilhões.

A China, com o valor recorde de US$ 49 bilhões, liderou os investimentos em energias renováveis em 2010, seguida pela Alemanha (US$ 41,1 bilhões), Estados Unidos (US$ 30 bilhões) e Itália (US$ 14 bilhões).

O Brasil, segundo dados do instituto voltado para estudos na área de energias renováveis REN 21, citados no relatório, é o quarto principal país em termos de capacidade de produção dessas energias, incluindo a hidrelétrica.

Mas o país não está entre os cinco principais em relação à capacidade de produção de energia eólica (liderada pela China) ou solar.

O relatório da Unctad afirma que os países do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) “estão fazendo avanços tecnológicos significativos nos setores eólico e solar”.

“A China está fazendo grandes esforços em relação ao uso de energias renováveis. Um dos grandes problemas do país são suas centrais térmicas que utilizam carvão. A transição não é simples e não pode ser feita de um dia para o outro”, diz Miroux.

Metas ambiciosas

A diretora do estudo ressalta que o Brasil “está no bom caminho” com o objetivo “notório” de desenvolver as energias renováveis, apesar de ainda “não fazer o suficiente” em relação às energias solar e eólica.

Ela elogiou a meta fixada pelo governo de que 75% da eletricidade produzida no país seja proveniente de energias renováveis em 2030.

“O Brasil é um dos raros, talvez o único, a ter uma meta tão ambiciosa”, afirma Miroux, que questiona também se as enormes reservas do pré-sal poderiam colocar em risco a estratégia atual de desenvolvimento das energias limpas no país.

Tecnologia

Segundo o relatório, os investimentos globais em energias renováveis saltaram de US$ 33 bilhões em 2004 para US$ 211 bilhões no ano passado – um aumento de 539,4%. O crescimento médio anual no período foi de 38%.

Apesar dos números, a diretora do estudo alerta que ainda faltam “centenas de bilhões de dólares” para aperfeiçoar as tecnologias nos países em desenvolvimento e expandir o uso das energias renováveis no mundo.
De acordo com o relatório, as energias renováveis oferecem uma oportunidade real para reduzir a pobreza energética nos países em desenvolvimento.

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=49952

Para ler mais:

 

IHU

Votação do Código no Senado é adiada; Inpe vê alta de desmate

30/11/2011

Satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registraram nova alta de desmatamento na Amazônia, nas proximidades das Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em construção no Rio Madeira. Com isso, o Estado de Rondônia está no topo do ranking do desmatamento.

A reportagem é de Marta Salomon e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 30-11-2011.

A informação foi divulgada ontem pelo Inpe pouco antes de o Senado adiar em mais um dia a votação final da reforma do Código Florestal. À noite, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) impediu a votação de um pedido de urgência para o projeto, que deve entrar em pauta na quinta-feira.

Uma nova concessão à produção de camarão em manguezais estava sendo acertada ontem para garantir um acordo em plenário. Segundo a negociação, a produção de pescado e crustáceos passará a ser considerada atividade de interesse social e, como tal, permitida em Áreas de Preservação Permanente (APP).

O desmatamento de outubro é segundo maior do ano na Amazônia, depois de abril, quando o governo lançou um gabinete de crise para conter o novo avanço sobre a floresta. O diretor de combate do desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, Mauro Pires, disse que os 90 quilômetros de floresta que desapareceram em Porto Velho estavam na área de influência das hidrelétricas do Madeira.

“O aquecimento da economia local por conta das usinas fez aumentar o preço das terras e o desmatamento”, disse ao Estado.

Os satélites do Inpe registraram o corte de 385 km2 de floresta em outubro. Foram 132 km a mais do que no mês anterior. Neste ano, outubro só perde para abril, quando o desmatamento em áreas superiores a 25 hectares, detectado pelos satélites, alcançou 477 km2.

Votação

A versão da reforma do Código Florestal que vai à votação provavelmente amanhã não permite regularizar o desmatamento ilegal ocorrido depois de 22 de julho de 2008, data da primeira edição de decreto que regulamentava a lei de crimes ambientais.

Mas o texto permite que proprietários de terras até 4 módulos fiscais (de 20 a 400 hectares, dependendo do município) não precisem recuperar a reserva legal, fatia do imóvel reservada à proteção da vegetação nativa, de 20% a 80%, segundo o bioma.

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=49957

 

IHU

Indicamos

Acompanhe a mobilização da sociedade brasileira contra o Código Florestal através do COMITE BRASIL EM DEFESA DAS FLORESTAS. Acesse e divulgue

http://www.comiteflorestas.org.br/

 

FMCJS

Parceiros
008IRlogo_blue_white_hires-1024x310 013MPA 011meb 003CIMI logo_cersa_web 001ASA 014mst logo_ibase_web 006fase Titulo 004cpp 002cais1 parceiros2 005cpt 002caritas_brasileira 008IRlogo_blue_white_hires1-1024x310 012mmc 007fian 004cnbb 010logo_koinonia+actaliança1-1024x549 009jubileu-logo-final-vertical-832x1024
001ASA 002caritas_brasileira 003CIMI 004cnbb 005cpt 006fase 007fian 008IRlogo_blue_white_hires-1024x310 009jubileu-logo-final-vertical-832x1024 010logo_koinonia+actaliança1-1024x549 002cais1 011meb 012mmc 013MPA 014mst 004cpp 008IRlogo_blue_white_hires1-1024x310 Titulo parceiros2 logo_ibase_web logo_cersa_web
013MPA 008IRlogo_blue_white_hires-1024x310 logo_ibase_web Titulo 004cpp 012mmc 005cpt 011meb 002cais1 004cnbb parceiros2 007fian 009jubileu-logo-final-vertical-832x1024 014mst 001ASA 008IRlogo_blue_white_hires1-1024x310 002caritas_brasileira 010logo_koinonia+actaliança1-1024x549 006fase 003CIMI logo_cersa_web

Copyrigth © 2012. Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social
Endereço:SGAN 905 - Conjunto B - Sala 03 - CEP: 70790-050 Brasília-DF
Tel:+55(61) 3447 8722
email: fclimaticas@gmail.com
Skype:fclimaticas

desenvolvido por:Sydtec Designer Exilado