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Veja como se pode produzir 11 mil MW sem construir nada

Veja como se pode produzir 11 mil MW sem construir nada

http://ivopoletto.blogspot.com.br/2014/02/veja-como-se-pode-produzir-11-mil-mw.html

Lembro do dia em que um técnico do ministério de minas e energia, provocado pela pergunta: “por que o governo não exige e promove a repotenciação das usinas hidrelétricas existentes?”, respondeu: “porque os estudos que fizemos demonstraram que a repotenciação geraria ganhos de produtividade insignificantes, e por isso as empresas não estão interessadas nela.”

Agora, diante da pesquisa da dra. Elisa Podestá Gomes, o que dirão os técnicos, o ministro e a própria presidente Dilma, que foi da área e tem a responsabilidade de ter desestruturado, em 2004, o projeto de política energética elaborado em 2002 para o governo lula? Certamente dirão que os dados e a conclusão da tese não são seguros, pois são contestados pelos estudos das empresas e dos técnicos do MME, ligados às empresas! E poderão até encomendar e pagar por novas pesquisas que “demonstrem” que não vale a pena repotenciar as usinas.

Contudo, a conclusão da tese, baseada em detalhada análise da realidade das usinas hidrelétricas, é desafiadora: se houvesse vontade política, em pouco tempo e com custos baixos, seria possível aumentar a energia elétrica disponível em 11.000 MW! Sem nenhuma grande obra, sem estragar rios, sem causar conflitos sociais, sem agredir o ambiente vital, o ganho em energia seria igual ao anunciado como produção da hidrelétrica de belo monte. Mas como se sabe que, por causa da variação do rio Xingu, a produção média de belo monte será muito mais baixa, entre 3 e 4 MW, a repotenciação pode gerar três vezes mais energia do que esta hidrelétrica!

É isso que apavora as empresas construtoras e as que ganham com venda de energia: que o povo saiba que há outras formas mais baratas e racionais de produzir energia. Por isso, o governo, para ser democrático e fazer boa gestão dos recursos públicos, não pode consultar as empresas para decidir o que fazer como política energética, pois isso é igual a consultar as raposas sobre como elas querem “cuidar” das galinhas!

Junto com a repotenciação, é urgente uma decisão política de promover a eficiência energética em todas as formas de uso de energia, desde a produção até consumo, passando pelas linhas de transmissão, em que se perde entre 20 e 30%, um índice inaceitável no mundo e no tempo de hoje. Quantas belo monte poderíamos deixar de construir se cuidássemos de gastar o mínimo de energia em todas as atividades de produção e de uso público e doméstico?

Finalmente, mas sendo o mais importante, por que não produzir a energia que realmente precisamos, depois de cuidar da repotenciação, da eficiência energética e da redefinição da política minerária e de outras prioridades industriais, utilizando o sol que se oferece risonho e gratuito em todo o território nacional de forma descentralizada? Não vale consultar e decidir com as empresas que lucram com venda de energia, pois para elas isso seria um desastre!

IHU – Quarta, 26 de fevereiro de 2014

Reforma reduz necessidade de novas hidrelétricas, diz estudo

O Brasil poderia ganhar a capacidade de produzir mais 11.000 MW de potência elétrica sem construir uma única nova usina, apenas reformando e aproveitando espaços já existentes em hidrelétricas já instaladas, mostra a dissertação de mestrado “Potencial de repotenciação de usinas hidrelétricas no Brasil e sua viabilização”, defendida pela engenheira Elisa de Podestá Gomes na Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp. Esse número se aproxima da potência instalada total prevista para a Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, de 11.233 MW.

A reportagem é de Carlos Orsi, publicada pelo Jornal da Unicamp, 24-02-2014.

“Na realidade brasileira ainda há espaço para a instalação de novas usinas hidrelétricas, sujeitas, evidentemente, a pressões e exigências socioambientais crescentes. Por outro lado, a repotenciação de usinas hidrelétricas existentes tem sido muito pouco explorada até o momento. Tratam-se de duas abordagens alternativas, porém complementares, no atual contexto brasileiro. É claro que, quanto mais obras de repotenciação forem realizadas, mais se posterga a necessidade de construção de algumas novas usinas”, escreve a autora na conclusão de seu trabalho.

“Repotenciação” é uma reforma da estrutura de geração energética de uma usina hidrelétrica, com a substituição de tecnologias ultrapassadas por alternativas modernas. “Quando uma usina opera há muitos anos, mais de 20, 30, 40 anos em funcionamento, seus componentes se desgastam”, explicou Elisa ao Jornal da Unicamp. Depois de algum tempo, é preciso trocar os principais componentes da usina, e pelo fato de a tecnologia atual ser mais desenvolvida do que quando a usina foi construída, em vez de apenas fazer uma manutenção, é possível aprimorar seu desempenho. “O objetivo é sempre conseguir condições melhores. Tornar a usina melhor do que era, em questões técnicas e na produção de potência e/ou energia para o Sistema Interligado Nacional”.

O processo, nota a autora, é mais barato que a construção de mais usinas, já que não envolve novas obras de construção civil. Além disso, tem menos impacto ambiental e social, uma vez que toda a fase traumática de instalação da estrutura – a formação do lago, o deslocamento de populações – já ocorreu no passado. “A repotenciação é, sem dúvida, uma das melhores e mais econômicas formas de aumentar a capacidade de geração em um curto espaço de tempo sem impactos ambientais significativos”, diz a dissertação.

Para realizar sua análise, Elisa seleciona 43 usinas hidrelétricas brasileiras com mais de 30 anos e com unidades de geração de energia de 15 MW ou superior. Essas usinas representam quase 20% de toda a potência instalada no país. Ela simula três tipos de repotenciação: mínima, leve e pesada. A primeira apenas recupera a capacidade original da usina, enquanto que a última envolve a troca de componentes essenciais da unidade. A dissertação afirma que, se todas as 43 usinas passassem por processos de repotenciação pesada, o aumento da capacidade instalada no Brasil seria de mais de 6.000 MW.

Poços

Outros 5.000 MW poderiam ser ganhos, afirma o trabalho, com o aproveitamento dos “poços” de usinas existentes – “poço”, no caso, é o nome dado ao espaço deixado na estrutura da usina para a instalação de equipamentos geradores de energia que, por vários motivos, nunca chegaram. “Eram obras de concessionárias estatais, que depois de alguns anos não tinham dinheiro para completar a obra, por exemplo”, disse Elisa. A dissertação identificou 12 usinas como “poços” por todo o Brasil, do Paraná ao Pará.

Para fazerem sentido econômico para as concessionárias que assumiram a tarefa de produzir energia no Brasil, após a reorganização do setor elétrico e as privatizações realizadas no governo Fernando Henrique Cardoso, as estratégias defendidas na dissertação requerem mudanças no sistema regulatório atual, diz Elisa.

“Após este período de privatizações, o governo brasileiro esperava que a iniciativa privada investisse no setor elétrico. Contudo, por diferentes motivos, como a falta de um marco regulatório bem definido, planejamento energético e regras para o setor, e um cenário institucional incerto, o investimento ocorrido não foi o esperado e nem suficiente”, diz o texto, que recorda a crise do “apagão” de 2001.

“Com o racionamento que ocorreu em 2001, as paradas de máquinas para manutenção ou a suspensão de obras teriam que ser muito bem planejadas, pois causam queda na produção de energia”, lembra a dissertação. “O custo de indisponibilidade das máquinas geradoras foi encarecido, aumentando os valores de uma obra de repotenciação, a ponto, até, de inviabilizar este tipo de projeto”.

No governo Lula, uma segunda reforma do setor elétrico entrou em curso. “No novo modelo institucional do setor elétrico brasileiro, a geração compete pelo mercado através dos leilões de energia. As empresas concessionárias distribuidoras devem contratar seu suprimento com cinco anos de antecipação, para sinalizar aos geradores seu aumento de demanda com a devida antecedência para que os geradores possam executar a tempo suas eventuais obras de expansão”, descreve o trabalho.

“O problema que existe é com a regulação da energia”, explicou a autora, sobre os obstáculos atuais à repotenciação e ao aproveitamento dos “poços”. “Todo o sistema elétrico é interligado, e para fazer parte dele, é preciso participar de leilões de energia . O preço que vence o leilão – o mais baixo – é a remuneração daquela usina pelo período de concessão. Você sempre vai ganhar aquele valor, para gerar o tanto que for solicitado pelo ONS. Não há incentivo para gerar mais. Eu fiquei muito inconformada quando descobri isso”, disse ela à reportagem. “Não há incentivo para produzir além do contratado. Hoje não há nenhuma lei que diga que a concessionária será reembolsada se investir para aumentar sua potência.”

Elisa argumenta, ainda, que tanto a repotenciação quanto o uso dos “poços” reduziriam as dificuldades de logística, como a construção de novas linhas de transmissão, e também os riscos do sistema, já que longas linhas, como as que deverão ligar as futuras usinas da região amazônica ao Centro-Sul do país, ficam expostas a intempéries.

“O governo divulgou que quer antecipar o leilão da usina de Tapajós, uma usina nova, também na região norte, e de algumas linhas de transmissão no norte, depois de mais um blackout ocorrido em fevereiro“, disse Elisa. “Contudo, novamente, não se pensa em outras possibilidades, como a repotenciação. Como já foi dito, a construção de uma nova usina demora muito mais tempo do que uma obra de repotenciação”

A pesquisadora lembra ainda que, conforme aumenta a participação de usinas termelétricas, usinas hidrelétricas sem reservatório de acumulação – as chamadas “usinas de fio d’água”, como Belo Monte – e outras geradoras que utilizam fontes de energia com grande variabilidade e baixa previsibilidade, como as eólicas, aumenta também a necessidade de opções para garantir o atendimento dos momentos de demanda máxima do setor elétrico, a chamada ponta de carga. “A supermotorização de usinas hidrelétricas possibilita isto”, disse Elisa. “Mas as atuais regras de funcionamento do setor elétrico brasileiro não provêm estímulos econômicos para tal. Não existem, por exemplo, leilões de capacidade adicional para atendimento de ponta, como ocorre em diversos países. Isto precisa mudar logo, para se evitar blackouts recorrentes no futuro”.

História

Repotenciações são comuns em países que adotaram a energia hidrelétrica antes do Brasil, e que já têm quase todo seu potencial de geração hídrica aproveitado. “Países como a Áustria, Canadá, Estados Unidos da América, Finlândia, Noruega e Rússia, dentre outros, possuem um parque hidrelétrico mais antigo que o brasileiro. Por já terem utilizado quase todo o seu potencial hidráulico e as outras fontes de energia serem mais caras e, muitas vezes, poluentes, a repotenciação de usinas hidrelétricas antigas tem sido comum nestas nações”, afirma a dissertação. “Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 110 usinas hidrelétricas já tinham sido repotenciadas até 2006”.

Embora a maior parte da eletricidade consumida no Brasil seja gerada em usinas hidrelétricas, com uma participação de mais de 83% em 2009, o país ainda conta com um grande potencial inexplorado, mas quase todo ele – quase 90% – concentrado na região Norte, nas bacias dos rios  Amazonas e Tocantins.

Por conta disso, “boa parte do potencial hidrelétrico remanescente possui um custo de transmissão elevado, devido às longas distâncias envolvidas e inúmeros problemas socioambientais, associados, muitos deles, à localização da maioria deste potencial remanescente na Amazônia”, lembra o texto.

Algumas usinas brasileiras já foram repotenciadas. O primeiro caso, citado na dissertação, foi o da usina de Rasgão, noRio Tietê, propriedade da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE). Localizada em Pirapora do Bom Jesus, a usina viu suas primeiras unidades entrarem em operação em 1925. Desativada em 1961, foi repotenciada em 1989, com aumento de 50% na capacidade instalada, e opera até hoje.

A dissertação registra 18 usinas brasileiras que já passaram por processos de repotenciação, modernização ou grandes reparos, totalizando 94 unidades geradoras de energia. As unidades afetadas tinham idade média de 35,7 anos e obtiveram um aumento médio de potência de 17,8%.

Depois da usina de Rasgão, a mais antiga unidade repotenciada foi a Pequena Central Hidrelétrica (PHC) de Dourados, da CPFL, no Rio Sapucaí-Mirim. Construída em 1926, ela foi reformada em 2000, com um ganho de 68% no potencial instalado, chegando a 10,8 MW.

As primeiras repotenciações no Brasil, após a de Rasgão, ocorreram em 1996, afetando as usinas de Jupiá (de 1969) e de Ilha Solteira (de 1973). Os ganhos de potência instalada foram de 9,9% e 6,6%, respectivamente. Já a mais recente foi a da usina de Três Marias, no Rio São Francisco. Suas operações tiveram início em 1962, e a instalação passou pelo processo em 2011, com ganho de potência de 1,5%

 

Austrália está enfrentando mais extremos de calor e riscos de incêndio

Austrália está enfrentando mais extremos de calor e riscos de incêndio, alerta estudo

05/03/2014   –   Autor: Jéssica Lipinski   –   Fonte: Instituto CarbonoBrasil

Austrália é um país já conhecido pelo seu clima quente e desértico e sua temporada de incêndios, mas, ao que tudo indica, essas situações tendem a se tornar ainda mais extremas.

Uma nova pesquisa do Escritório de Meteorologia australiano e da Organização de Pesquisa da Comunidade Científica e Industrial da Austrália (CSIRO) afirma que o país está apresentando temperaturas quase um grau mais quentes do que há 100 anos, o que está levando a um aumento no número de dias de calor extremo e de dias com risco de incêndio.

Segundo o State of the Climate 2014 (Estado do Clima 2014), lançado a cada dois anos com o objetivo de “resumir” as condições climáticas australianas, a temperatura média da nação aumentou 0,9ºC desde 1910, e deve se elevar mais 0,6ºC a 1,5ºC até 2030 em relação à média de 1980 a 1999.

Isso tem feito com que, desde 1950, as ondas de calor tenham se tornado mais duradouras, intensas e tenham ocorrido com mais frequência na maior parte do país. A Austrália também tem registrado mais dias de calor extremo. Por exemplo, quando os registros australianos começaram, em 1910, levou 31 anos para que o país registrasse 28 dias quentes o suficiente para ficarem entre o 1% mais quente. Contudo, só em 2013, o país registrou o mesmo número de dias quentes extremos.

O relatório também diz que sete dos dez anos mais quentes da Austrália ocorreram desde 1998. Além disso, nos últimos 15 anos, meses “muito quentes” estão ocorrendo numa frequência cinco vezes maior do que entre 1951 e 1980.

Para piorar, atualmente há 33% menos meses frios do que no passado, e o relatório aponta que desde 2001 há três dias em que recordes de calor são quebrados para cada dia em que um recorde de frio é quebrado. As noites também estão aquecendo rapidamente, e, para cada recorde de temperatura mínima registrado à noite, cinco recordes de temperatura máxima são registrados no mesmo período do dia.

Tudo isso porque, de acordo com o relatório, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera atingiu o maior nível em dois milhões de anos, e nos últimos dois anos chegou ao maior nível já observado desde que os registros começaram.

Com isso, as estimativas são de que os extremos climáticos se intensifiquem ainda mais. O relatório sugere que, à medida que as emissões de gases do efeito estufa continuarem a subir, as temperaturas também devem aumentar.

É provável que o país vivencie uma elevação nas temperaturas de 2,2ºC a 5ºC até 2050 em relação às últimas décadas, e projeções mais pessimistas indicam um aumento de até 6ºC na temperatura. “Acreditamos que haverá uma continuação do aquecimento e provavelmente uma aceleração nas próximas décadas”, observou Penny Whetton, especialista em projeções climáticas da CSIRO.

Os índices de precipitação também devem mudar. O relatório indica que, desde a metade da década de 1990, as chuvas no sudeste da Austrália diminuíram 25% em abril e maio e 15% no período do final do outono e início do inverno (aproximadamente entre junho e julho).

Já o sudoeste da Austrália, que é a principal fonte de exportação de trigo do país, tem apresentado uma queda média na precipitação de 17% desde 1970, enquanto que o escoamento da água para rios na região caiu em mais da metade.

Dependendo das emissões de carbono, a chuva no sul pode diminuir em 30% até 2070, com as maiores reduções ocorrendo durante o inverno e a primavera, quando acontece o principal período de safras no país.

“As secas devem se tornar mais frequentes e severas no sul da Austrália. Certamente as mudanças no clima que precisarão ser consideradas pelos agricultores provavelmente serão maiores nas próximas décadas do que o que temos visto nas últimas décadas”, explicou Whetton.

Também por consequência desses fenômenos, devem aumentar as temporadas de risco de incêndio, que serão ainda mais perigosas. Das 38 estações de medição de risco de incêndios, o relatório mostrou que, entre 1973 e 2010, houve estatisticamente um aumento significativo no número de dias de risco de incêndio em 16 localidades.

Além disso, os piores dias de risco de incêndio se tornaram mais extremos em 24 das 38 estações. “Esse aquecimento faz a Austrália vivenciar um clima mais quente e extremos de calor, e menos extremos de frio. Tem havido um aumento no clima propenso a incêndios, e uma temporada de incêndios mais longa, em grandes partes da Austrália”, diz o relatório.

Infelizmente, o país não está trabalhando para desenvolver políticas para conter essas mudanças climáticas. De fato, um estudo recente apontou que o país é um dos que retrocedeu em suas leis nesse sentido.

Tony Abbott, o atual primeiro-ministro, já negou diversas vezes a existência das mudanças climáticas, e uma de suas primeiras ações após eleito foi iniciar o processo para acabar com a taxa de carbono, que há dois anos obriga as indústrias mais poluentes a pagarem se emitirem acima de um limite fixado pelo governo. Uma decisão sobre o assunto deve acontecer em julho.

O país tem ainda planos de expandir as exportações de carvão e gás natural, aumentando  mais as emissões per capita. “A nova atitude da Austrália pode reverter importantes avanços legislativos na luta global contra as mudanças climáticas”, salientou John Gummer, presidente da GLOBE International, que desenvolveu pesquisa legislativa.

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http://www.institutocarbonobrasil.org.br/mudancas_climaticas1/noticia=736515#ixzz2vCwog9PK

IPCC publica atualizações nos métodos para inventários nacionais de gases do efeito estufa

IPCC publica atualizações nos métodos para inventários nacionais de gases do efeito estufa

05/03/2014   –   Autor: Fernanda B. Müller   –   Fonte: Instituto CarbonoBrasil

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) está divulgando dois novos relatórios que permitem aos países que fazem parte da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e do Protocolo de Quioto (PQ) estimarem e reportarem as suas emissões e remoções de gases do efeito estufa (GEEs).

Preparados pela Força Tarefa sobre Inventários Nacionais de Gases do Efeito Estufa (TFI), responsável pela avaliação e desenvolvimento de métodos e práticas cientificamente adequados e relevantes para os inventários de todos os países, os documentos trazem informações essenciais para as negociações internacionais.

‘Suplemento 2013 às Diretrizes de 2006 do IPCC para Inventários Nacionais de Gases do Efeito Estufa: Áreas úmidas’ amplia o conteúdo das diretrizes de 2006 ao acabar com deficiências e fornecer informações atualizadas que refletem os avanços científicos, incluindo fatores de emissão referente às áreas úmidas.

A publicação cobre solos orgânicos e áreas úmidas em solos minerais, ambientes costeiros (incluindo manguezais, gramas marinhas e marismas) e aquelas construídas para o tratamento de efluentes.

‘Métodos Suplementares Revisados e Guia de Boas Práticas Resultantes do Protocolo de Quioto 2013’ apresenta métodos e diretrizes adicionais para boas práticas na estimativa de emissões antropogênicas de GEEs ou remoções por sumidouros que resultam de atividades de uso da terra, mudança do uso da terra e florestas (LULUCF, em inglês) conforme o Artigo 3, parágrafo 3 e 4, do PQ para o segundo período de compromissos.

Ambos os relatórios foram inicialmente lançados em uma versão preliminar em outubro, e agora estão publicados online após passarem por edições.

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Reduzir a população de bovinos para combater o desmatamento e o aquecimento global

Reduzir a população de bovinos para combater o desmatamento e o aquecimento global, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

 

bovinosQuase 70 bilhões de animais terrestres são mortos todos os anos para alimentar os cerca de 7 bilhões de seres humanos. São cerca de 10 animais mortos, anualmente, para cada pessoa.

A reportagem foi publicada pelo portal EcoDebate, 07-02-2014.

Segundo a FAO, a criação de animais domesticados, no mundo, a serviço do apetite do homo sapiens, atinge cerca de 200 milhões de búfalos, 800 milhões de cabritos, 1 bilhão de porcos, 1,1 bilhão de ovelhas, 1,45 bilhão de bovinos e dezenas de bilhões de galinhas. A pecuária ocupa 26% da superfície terrestre global. O Brasil tem o maior rebanho bovino do mundo, com cerca de 215 milhões de cabeças (mais gado do que gente).

O impacto da população de ruminantes, especialmente bovinos, sobre o meio ambiente é muito grande. O metano liberado a partir dos sistemas digestivos dos animais criados pela pecuária é responsável por 14,5% de todos os gases de efeito estufa emitidos pelas atividades antrópicas. O gás metano é cerca de 30 vezes mais potente que o efeito do dióxido de carbono no aquecimento do planeta (um boi gera 58 quilos de metano por ano).

O consumo anual médio per capita de carne no mundo desenvolvido foi de cerca de 80 quilos em 2012 e está projetado para crescer para 89 quilos em 2030. Enquanto isso, no mundo em desenvolvimento foi de 32 quilos em 2012, projetado para crescer para 37 em 2030. Se gasta 15 mil litros de água para produzir um quilo de carne. Além de ser ruim para o meio ambiente, o consumo de carne também afeta a saúde humana.

Segundo um estudo feito na Universidade da Califórnia, publicado no periódico JAMA Internal Medicine, as pessoas que não comem carne têm mais chances de ter uma vida longa, se comparadas com aquelas que têm uma dieta “carnívora”. O trabalho envolveu mais de 73 mil participantes, reunidos entre 2002 e 2007 e acompanhados pelo período de quase seis anos.

Um novo estudo da Clínica de Cleveland (EUA ) diz que uma substância química encontrada na carne vermelha é ruim para o coração. Segundo os pesquisadores, a carnitina é processada por bactérias no intestino, dando início a uma cadeia de eventos que resultam em altos níveis de colesterol e no aumento do risco de doenças cardíacas. Reportagem do jornal O Globo (30/01/2014) mostra que quase metade da carne bovina produzida no Brasil está fora do alcance da fiscalização do Ministério da Agricultura (Mapa) e não tem o Certificado de Inspeção Federal (CIF). Todo o controle de resíduos do uso de antibióticos, vermífugos e hormônios (que são proibidos no país) nos rebanhos cabe a órgãos municipais e estaduais, que geralmente não dispõem de meios adequados para a função.

No Reino Unido, o governo não recomenda comer mais do que 70g de carne vermelha ou processada por dia. Por tudo isto, cresce o movimento do Meatless day (pelo menos um dia sem carne na semana). Um dia sem comer carne é bom para a saúde e pode ajudar a combater o aquecimento global. Uma das campanhas de maior impacto é o Meatless Monday (“Segunda sem Carne”), movimento que surgiu nos Estados Unidos em 2003 e tem se espalhado ao redor do mundo.

O economista Nicholas Stern já defendeu comer menos carne para combater o aquecimento global. Estudo publicado pela revista Nature Climate Change propõe a redução da emissão de metano empurrando para cima o preço da carne através de um regime fiscal ou comércio de emissões. O aumento de impostos sobre a carne poderia reduzir o consumo pois “uma mudança na dieta em grande escala não vai acontecer voluntariamente , sem incentivos”. O professor de solos e mudança global na Universidade de AberdeenPete Smith, um dos autores do estudo, disse: “Uma das maneiras mais eficazes para reduzir o metano é reduzir as populações globais de ruminantes, especialmente bovinos”.

No Brasil a pecuária bovina é usada, dentre outras coisas, para ocupar áreas que são desmatadas visando a comercialização e a valorização da terra. Gado, desmatamento e especulação de terras andam juntas. Reportagem publicado no Portal Ecodebate mostra que o rebanho bovino da Amazônia Legal cresceu 140% e passou de 26,6 milhões para 64 milhões de cabeças, entre 1990 e 2003, constituindo-se no principal fator de desmatamento. A violência e os homicídios também costumam acompanhar este processo. As plantações de soja também ocupam áreas desmatadas e já existem projetos no Congresso Nacional tentando legalizar a plantação de cana nas áreas em que a floresta foi destruida. Ou seja, primeiro se desmata para vender as madeiras e depois se ocupa os terrenos para as atividades antrópicas e a monetarização do território transformado em lucro e especulação. Por isto tem gente que diz que o Brail precisa de menos Friboi e mais “free boi”.

Mas a redução da população de bovinos e ruminantes domesticados não tem razões apenas econômicas. Há também uma questão ética e de respeito aos animais. Siddartha Gautama, o Buda, que viveu há cerca de 2500 anos atrás, praticava uma dieta vegetariana e defendia o direito à vida dos animais. Diversas outras personalidades da história também criticaram a matança de animais sencientes em função da alimentação humana. O veganismo defende o fim da exploração e do abuso dos animais por convicções éticas. O vegano não aceita a utilização de animais para alimentação, apropriação, trabalho, vivissecção, confinamento, nem outros usos da vida animal pelo ser humano

Portanto, reduzir a população de bovinos e demais ruminantes é uma forma de combater a escravidão animal e um meio de diminuir o desmatamento e o aquecimento global. Com mais espaços livres das atividades antrópicas, o mundo pode avançar com o processo de reselvagerização da flora e da fauna, livres do utilitarismo e do domínio onipresente de uma única espécie invasora, egoísta e espaçosa.

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/528028-reduzir-a-populacao-de-bovinos-para-combater-o-desmatamento-e-o-aquecimento-global-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves

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