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Recorde de mudança climática ….

Recorde de mudança climática coloca o mundo em ‘território desconhecido’

 

O calor recorde que fez com que 2016 fosse o ano mais quente já registrado continuou em 2017, colocando o mundo em “território realmente desconhecido”, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial.

A avaliação da OMM do clima em 2016, publicada na terça-feira, reporta temperaturas sem precedentes em todo o mundo, níveis de gelo extremamente baixos em ambos os polos e um crescente aumento do nível do mar.

A reportagem é de Damian Carrington, publicada por The Guardian, 21-03-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

A mudança climática acontece, em grande parte, por emissões provenientes de atividades humanas, mas o forte El Niño – ciclo natural do clima – provocou ainda mais calor em 2016. O El Niño está diminuindo agora, mas os extremos continuam, com registros de temperatura em queda nos EUA em fevereiro e ondas de calor nos pólos reduzindo ainda mais as coberturas de gelo.

“Mesmo sem um El Niño tão forte em 2017, estamos presenciando outras mudanças notáveis em todo o planeta, que desafiam os limites da nossa compreensão acerca do sistema climático. Estamos em território realmente desconhecido”, disse David Carlson, diretor do programa de pesquisa da OMM sobre o clima mundial.

“A Terra é um planeta em convulsão devido a mudanças na atmosfera causadas pela ação humana”, disse Jeffrey Kargel, glaciologista da Universidade do Arizona, nos EUA. “Em geral, as mudanças drásticas das condições não auxiliam a civilização, que prospera na estabilidade.”

O relatório da OMM foi “alarmante”, declarou o professor David Reay, especialista em emissões da Universidade de Edimburgo: “a necessidade de uma ação concertada frente ao aquecimento global nunca foi tão gritante nem em níveis tão elevados”.

A nova avaliação da OMM também levou alguns cientistas a criticarem Donald Trump. “Embora os dados mostrem um impacto cada vez maior da atividade humana no sistema climático, o governo Trump e os republicanos mais experientes do Congresso continuam enterrando a cabeça na areia”, disse o Professor Robert Watson, importante cientista climático da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e ex-chefe do Painel de Mudanças Climáticas da ONU.

“Nossos filhos e netos vão olhar para trás, para quem negligenciou o clima, e perguntar como podem ter sacrificado o planeta por causa de combustíveis fósseis baratos, quando o custo da falta de ação é maior que o custo da transição para uma economia com baixo uso de carbono”, disse Watson.

Trump quer cortar as investigações sobre alterações climáticas, mas segundo o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, “o investimento contínuo em pesquisa e observações climáticas é vital para que o nosso conhecimento científico avance no mesmo ritmo acelerado das mudanças climáticas”.

O ano de 2016 representou a média global mais quente dentre os registros de temperatura desde 1880. Mas a pesquisa científica indica que a última vez que o mundo esteve tão quente foi 115.000 anos atrás e que o planeta não teve níveis tão elevados de dióxido de carbono na atmosfera em 4 milhões de anos.

Em 2017 os registros de temperatura continuam caindo, nos EUA, onde fevereiro foi excepcionalmente quente, e na Austrália, onde o calor extremo e prolongado atingiu muitos estados. As consequências têm sido particularmente brutais nos pólos.

“As condições de gelo do Ártico têm permanecido em um recorde de condições extremamente baixas desde outubro, o que persistiu por seis meses consecutivos, algo nunca antes visto [nas quatro décadas de registro de dados por satélite]”, disse a professora Julienne Stroeve, da University College London, no Reino Unido. “No hemisfério sul, o gelo do mar também quebrou novos recordes mínimos das escalas sazonais máximas e mínimas, levando à menor quantidade de gelo marinho mundial já registrada.”

Emily Shuckburgh, do British Antarctic Survey, disse: “O Ártico pode ser distante, mas as mudanças que ocorrem nele nos afetam diretamente. O derretimento de gelo da Groenlândia já está contribuindo para a elevação do nível do mar de maneira significativa e novas pesquisas destacam que o derretimento de gelo do mar Ártico pode alterar as condições meteorológicas em toda a Europa, Ásia e América do Norte.”

O nível global do mar aumentou entre novembro de 2014 e fevereiro de 2016 e o El Niño colaborou para a elevação dos oceanos em 15 mm. Esse salto teria levado cinco anos para acontecer considerando o aumento constante visto nas últimas décadas, à medida que as calotas polares derretem e os oceanos ficam mais quentes e expandem em volume. Os dados finais do aumento do nível do mar de 2016 ainda não foram publicados.

A mudança climática prejudica as pessoas mais diretamente pelo maior risco de eventos climáticos extremos e o relatório da OMM afirma que esses riscos elevados podem ser calculados cada vez mais. Por exemplo, há uma probabilidade dezenas de vezes maior de ondas de calor do Ártico e duas vezes maior de temperaturas elevadas como as que foram vistas na Austrália em fevereiro.
“Com os níveis de dióxido de carbono na atmosfera quebrando novos recordes constantemente, a influência da atividade humana no sistema climático tornou-se cada vez mais evidente”, disse Taalas.

 

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/566205-recorde-de-mudanca-climatica-coloca-o-mundo-em-territorio-desconhecido

 

APRENDER A PENSAR A VIDA E O BRASIL A PARTIR DOS SEUS BIOMAS

APRENDER A PENSAR A VIDA E O BRASIL A PARTIR DOS SEUS BIOMAS

 

A Campanha da Fraternidade deste ano é uma oportunidade que a Terra e Deus estão dando a todos nós, brasileiros e brasileiras, para refletir criticamente sobre a situação em que se encontram os seis – ou sete – berços vivos e geradores de vida – os biomas – em que os seres humanos, a rica biodiversidade e tudo que constitui estes diferentes ambientes vitais.

Seria muito pouco, mesmo se ponto de partida indispensável, que o diálogo se limitasse a uma constatação, uma descrição superficial da realidade de cada bioma. A oportunidade está aberta tanto para dar-se conta que os desequilíbrios causados pelas diferentes ações humanas em cada bioma têm tudo a ver com as mudanças climáticas que se agravam a cada dia que passa. E têm tudo a ver com a crise da solidariedade entre os biomas, indispensável para que a vida continue possível. É o que acontece, por exemplo, com as crises de água no Cerrado e na Mata Atlântica do Sudeste brasileiro provocadas, ao mesmo tempo, pela destruição da sua cobertura vegetal para implantar projetos de monoculturas do sistema do agronegócio e grandes cidades, e pelo crescente desmatamento também da floresta da Amazônia. Com isso, diminui e já não chega com a generosidade natural nestes biomas o Rio Voador gerado pela umidade que a floresta envia para a atmosfera, e para eles se desloca com os ventos que mudam de direção ao encontrarem pela frente as montanhas da Cordilheira dos Andes.

Por isso, o que precisa ser enfrentado é o sistema de produção e de vida que, por ser comandado pelas empresas capitalistas, continua teimando em que seria possível um crescimento econômico sem fim num planeta finito, que seria possível viver sem florestas, que se pode contaminar rios, mares e aquíferos, solos, subsolos e atmosfera… E que, em função da pretensamente natural livre iniciativa capitalista, o consumismo não pode parar, assim como a especulação e a concentração da riqueza.

Como relembra insistentemente o Papa Francisco, fazendo eco ao grito dos povos indígenas e dos cientistas que se negam a aceitar que seus conhecimentos sejam utilizados como propriedade do capital, esse é um sistema que mata. Mata a vida de cada bioma, de todos os biomas, de toda a Terra, e mata a biodiversidade e seres humanos, tanto através da pobreza mantida e agravada, seja através de produtos contaminados e modificados geneticamente.

Disposto a contribuir com esse debate sobre os biomas do Brasil e sobre o que fazer para enfrentar o que foi degradado, e de modo especial para repensar o Brasil a partir de seus biomas, avançando em outras formas de vida, de produção e de convivência com o ambiente da vida, tomei da decisão de disponibilizar gratuitamente a versão digital do livro BIOMAS DO BRASIL – da exploração à convivência. Está originalmente no Site fmclimaticas.org.br, mas sugiro que seja anunciado e disponibilizado também por este Portal de Notícias. O contato com o autor, IVO POLETTO, pode ser feito pelo e-mail ivopoletto@uol.com.br.

 

Baixe aqui:

 

http://fmclimaticas.org.br/wp-content/uploads/2017/03/livro_BIOMAS_DO_BRASIL_2017_final.pdf

 

 

 

 

Francisco lastima a “distração” dos políticos no combate às mudanças climáticas

Francisco lastima a “distração” dos políticos no combate às mudanças climáticas

Os políticos estão “distraídos” na busca por medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa por causa de uma política e de uma economia que se voltaram para o lucro, disse o Papa Francisco a um grupo de cientistas reunidos no Vaticano.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux – Taking The Catholic Pulse, traduzida por Isaque Gomes Correa, 28-11-2016.

A duas semanas do aniversário de um ano da assinatura do Acordo de Paris para combater as mudanças climáticas, o Papa Francisco denunciou aquilo que chamou de “distração”, ou atraso, dos políticos na implementação deste e de outros acordos semelhantes.

Como resultado do acordo alcançado na COP-21 em dezembro de 2015, a maioria dos países concordou em reduzir o aquecimento global, diminuindo as emissões de carbono, entre outras medidas. Para muitos analistas, a encíclica do Papa Francisco Laudato Si’ foi considerada como o ponto de inflexão para mover a balança a favor do acordo Paris.

“A submissão da política à tecnologia e a uma economia que busca lucro acima de tudo é demonstrada na distração, ou no atraso, na implementação dos acordos mundiais sobre o meio ambiente e nas guerras continuadas de dominação disfarçadas de nobres reivindicações”, contou o pontífice aos membros da Pontifícia Academia para as Ciências, que se reúne em Roma para uma sessão plenária.

Estas guerras, acrescentou, causam sempre mais prejuízos ao meio ambiente e à riqueza moral e cultural dos povos. A Pontifícia Academia possui uma lista de membros composta pelos mais respeitados nomes da ciência do século XX, como o falecido de Ernest Rutherford, conhecido como o pai da física nuclear, e o cosmólogo Stephen Hawking, que listou o São Papa João Paulo II como uma das pessoas que alimentaram o seu interesse pela origem e destino do universo.

O seu atual presidente é Werner Arber, vencedor do Prêmio Nobel. Arber é o primeiro protestante à frente do cargo.
A sessão plenária que acontece entre os dias 25 e 29 de novembro deste ano está focada nas contribuições que a ciência pode trazer para a sustentabilidade, ou seja, os impactos do conhecimento científico e da tecnologia na sociedade e no meio ambiente.

Na segunda-feira, Francisco disse que os homens e as mulheres modernos “cresceram achando-se os donos e senhores da natureza”, com o direito de saqueá-la “sem qualquer consideração de seu potencial oculto e das leis de desenvolvimento, como se sujeitando a matéria inanimada aos nossos caprichos”. Segundo ele, esta mentalidade levou a muitos males, incluindo “uma grave perda para a biodiversidade”.

“Não somos os guardas de um museu em que, todas as manhãs, temos de limpar o pó às obras-primas que lá estão. Somos, sim, conservadores do desenvolvimento do ser e da biodiversidade do planeta, bem como da vida humana presente aí”, completou. Falando a uma sala cheia de cientistas, Francisco lamentou “a facilidade com que a opinião científica bem fundamentada sobre o estado de nosso planeta é negligenciada” pela política internacional.

Também pediu à Academia – criada em 1847 para substituir uma antiga organização vaticana certa vez chefiada por Galileu Galilei – para que faça a frente em uma caminhada na direção do desenvolvimento sustentável, fornecendo soluções gerais e específicas a questões como a água, formas de energias renováveis e segurança alimentar. Disse ainda que é essencial criar um sistema que assegure a proteção dos ecossistemas antes que as “novas formas de poder”, derivadas do “modelo tecnocrata, “produzam danos irreversíveis não somente ao meio ambiente, mas também à convivência, à democracia, à justiça e à liberdade”.

Falou aos membros da Pontifícia Academia que a conversão ecológica que ele quer promover “requer a plena assunção da responsabilidade humana para com a criação e os seus recursos e a busca da justiça social e a superação de um sistema injusto que produz miséria, desigualdade e exclusão”.

Dessa forma, cabe aos cientistas – que “trabalham livres de interesses políticos, econômicos e ideológicos” – construir um modelo cultural capaz de enfrentar a crise das mudanças climáticas e suas consequências, garantindo que o “amplo potencial de produtividade não esteja reservado somente para uns poucos”.

No entanto, apesar do que descreveu como a lentidão dos políticos em agir e o desprezo deles pelas evidências científicas quanto aos perigos das mudanças climáticasFrancisco vê sinais encorajadores de uma “humanidade que quer reagir, escolher o bem comum e regenerar-se com responsabilidade e solidariedade”.

papa argentino fez da luta contra o aquecimento global uma das principais questões sociais de seu pontificado, pregando sobre a necessidade de proteger a criação divina desde a sua primeira homilia em março de 2013.
O objetivo do acordo de Paris, assinado em dezembro passado por 195 nações durante a chamada Cúpula da COP-21, deve reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa em cerca de metade. Isso evitaria um aumento nas temperaturas atmosféricas de 2º C.

Se não alcançarmos este objetivo, dizem os cientistas, o mundo irá se ver trancado em um futuro com consequências devastadoras, com o aumento do nível do mar, secas severas e inundações, escassez generalizada de alimentos e água e mais tempestades destrutivas.

Em parte, o acordo é juridicamente vinculativo e, em parte, voluntário, entrando em vigor em 2020. O presidente-eleito dos EUA Donald Trump prometeu retirar o país do acordo.

http://www.ihu.unisinos.br/562901-francisco-lastima-a-distracao-dos-politicos-no-combate-as-mudancas-climaticas

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Carta final do Seminário Nacional clama pela proteção à Mãe Terra

A luta contra a exploração irresponsável dos recursos naturais do planeta por parte dos grandes capitalistas e suas consequências sobre as mudanças climáticas é o principal destaque da carta-resultado do Seminário Nacional realizado pelo Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS). Confira a íntegra do documento:

Seminário Nacional do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social

PRECISAMOS REESCREVER O FUTURO

AGORA!

Viemos de todos os estados brasileiros, do Distrito Federal, das comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, da agricultura familiar, das cidades, dos movimentos sociais e populares do campo, das florestas, das águas e das cidades, todxs violentadxs por projetos extrativistas e de infraestrutura como hidrelétricas, termoelétricas, energia eólica e nuclear, transposição de rios, mineração, pecuária, extração de fontes fósseis (convencionais e não convencionais), expansão da monocultura e do agronegócio, agrotóxicos, projetos de créditos de carbono, desastres ambientais que geram migrações forçadas e projetos urbanos que expulsam comunidades. Em Brasília, no Seminário Nacional do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social, de 25 a 28 de outubro de 2016, refletimos sobre as mudanças climáticas, socializamos os gritos, nos fortalecemos para enfrentar os mega-projetos patrocinados pelo sistema capitalista, por meio de corporações e governos que atentam contra a vida da Mãe Terra, de suas Filhas e Filhos.

Motivadxs pela espiritualidade dos povos da floresta, das águas, do campo e das cidades, em uma só voz denunciamos as faces desse desenvolvimento perverso, que produz o Ecocídio, o Etnocídio e o Genocídio da Mãe Terra e alimenta o capitalismo financeirizado, globalizado e agressivo. Denunciamos a falácia da “Economia Verde”, que mercantiliza e privatiza rios, oceanos, florestas, o ar e a Mãe Terra, expulsando suas filhas e filhos em favor de projetos que produzem morte cultural, econômica, social e organizacional de povos e comunidades tradicionais, camponeses e comunidades urbanas.

Somando-se à voz dos povos originários, a ciência revelou que chegamos a uma nova época geológica, chamada de ”Antropoceno”. Nele, a humanidade, com uma responsabilidade bem maior por parte dos mais ricos e que mais consomem, tornou-se uma força indutora de impactos profundos e irreversíveis em escala global. Impactos que incluem a 6ª grande extinção de espécies da história terrestre, um domínio destrutivo sobre a maior parte das terras e da água doce, a acidificação dos mares, a destruição da camada de ozônio. Incluem, sobretudo, uma radical mudança do clima da Terra provocada pelo aumento exponencial da concentração dos gases de efeito estufa pela queima de combustíveis fósseis, desmatamento, etc. São frutos envenenados de uma economia da morte.

As mudanças climáticas já aumentaram em 1,2oC a temperatura do planeta desde o início da era industrial, provocando efeitos extremos, tais como furacões, secas, tempestades, ondas de calor, elevação crescente do nível do mar. Ameaçam a vida de milhões de seres humanos e de outras espécies. É o maior desafio jamais posto diante da humanidade. Precisamos agir para deter essas mudanças. O causador destas aflições é o modo capitalista de desenvolvimento, que prioriza o lucro e a acumulação, e não o atendimento das reais necessidades materiais e imateriais da humanidade, que confunde desenvolvimento com mero crescimento físico. Estamos perto de esgotar os bens naturais e é urgente determos a voracidade do crescimento capitalista. Constatamos que, sem superar o sistema do capital, o Planeta mergulhará no caos e a vida nas formas conhecidas desaparecerá. Para viver, precisamos de alimentação boa e saudável, beleza e amor, e não de alimentos e água contaminados, pobreza e egoísmo. A produção contínua de desigualdades sociais e a destruição de comunidades humanas e seus modos de reprodução ampliada da vida tornam o sistema insustentável. De quanto tempo a fração privilegiada da humanidade vai precisar para descobrir que não se come dinheiro nem se bebe petróleo?

O predomínio antagônico do homem sobre a mulher e sobre a Mãe Terra, de nossa espécie sobre as demais, do capital sobre o trabalho, da riqueza material sobre a não material, da ilusão de que a técnica resolve tudo, e das corporações sobre os povos da Terra anula o sentido participativo da democracia. Reconstruir as sociedades humanas de baixo para cima começa com a organização de comunidades intencionais onde as pessoas vivem e trabalham. Produzir e consumir localmente; partilhar solidariamente nossos excedentes; promover saúde coletiva; garantir espaços de mobilidade ativa, ferrovias para passageirxs e cargas, e transporte público includente, multimodal e de qualidade; assegurar terra para quem dela necessita para viver e trabalhar; universalizar a permacultura, a agrofloresta e a agroecologia; acolher os que sofrem as mazelas espalhadas pelo capital; receber refugiadxs climáticxs com braços, portas e fronteiras abertas para a partilha; construir uma economia do suficiente (bens materiais), e da abundância em qualidade de vida – lazer, comunicação, artes, amizade, amor, felicidade, criando o ambiente político, social, natural e espiritual propício para que cada pessoa desenvolva sempre mais plenamente seus potenciais individuais e coletivos – este é o sentido maior da vida humana.

A economia da vida promove a descentralização do poder político, econômico e cultural, e a valorização da unicidade (comunidade da vida que habita a Casa Comum) e da diversidade humana e biológica. Promove o empoderamento das comunidades para planejarem e implementarem o seu próprio desenvolvimento de forma autogestionária,  solidária, sustentável, e articuladas entre si em escala sucessiva até o âmbito nacional e global. Com a posse compartilhada dos bens produtivos e o planejamento participativo superam-se os riscos da superprodução, do descarte e da especulação; em vez da privatização, o cuidado e a partilha dos bens comuns. A matriz energética se reerguerá num modelo descentralizado de produção e consumo da escala comunitária até a nacional. A educação para a vida ensinará valores e métodos da partilha dos bens produtivos e da troca solidária, ou doação dos excedentes, da reciprocidade voluntária, da restauração e da conservação dos ecossistemas.

O futuro escrito pelo capital é de destruição e morte, mas já está sendo reescrito na sabedoria representada pelos povos originários e demais comunidades tradicionais, e por outras formas de comunidades intencionais, como comunidades camponesas, ecovilas e ecocidades. Aprendamos com eles o modo de vida simples, compartilhado e rico de tradições ancestrais, o seu cuidado com o meio natural e a sua espiritualidade enraizada na Mãe-Terra, na perspectiva da construção de sociedades do bem viver!

 

Brasília, 28 de outubro de 2016

 

 

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