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Para enfrentar o mito do “crescimento econômico”

Para enfrentar o mito do “crescimento econômico”

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Pesquisadora britânica propõe novo paradigma para a ciência econômica: abandonar o “homem racional, autorreferido e calculista”; voltar-se ao bem-estar de todos e à salvação do planeta

Por George Monbiot | Tradução: Inês Castilho

Então, o que vamos fazer a respeito? Essa é a única pergunta que vale a pena fazer. Mas as respostas parecem evasivas. Diante de uma crise multifacetada – a captura dos governos por bilionários e seus lobistas, a desigualdade extrema, a escalada dos demagogos, e sobretudo o colapso do mundo vivo –, aqueles que deveriam nos liderar parecem atordoados, mudos, desnorteados. Ainda que tivessem coragem para agir, não têm ideia do que fazer.

O máximo que tendem a oferecer é mais crescimento econômico: o pó de pirlimpimpim que fará, supostamente, todo o mal desaparecer. Não importa que leve à destruição da natureza, que tenha fracassado em aliviar o desemprego estrutural ou a desigualdade crescente, e que nos últimos anos quase todo o aumento na renda tenha caído nas mãos do 1% do topo da pirâmide. Como os valores, princípios e propósitos morais estão perdidos, a promessa de crescimento é tudo o que resta.

Os efeitos disso podem ser vistos num memorando vazado do ministério de Relações Exteriores do Reino Unido: “O comércio e o crescimento são agora a prioridade em todos os cargos … os trabalhos em mudanças climáticas e comércio ilegal de animais silvestres, por exemplo, serão reduzidos.” Tudo o que conta é o ritmo em que transformamos as riquezas naturais em dinheiro. Quem se importa se isso destrói nossa felicidade e as maravilhas que nos rodeiam?

Não podemos esperar que essa situação seja enfrentada sem uma nova visão de mundo. Não podemos usar os modelos que causaram nossas crises para resolvê-las. Precisamos reformular o problema. Isso é o que faz o livro mais inspirador publicado este ano.

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Em Doughnut Economics: seven ways to think like a 21st-century economist (Economia da rosquinha: sete maneiras de pensar como um economista do século XXI, em tradução livre), Kate Raworth nos recorda que inicialmente o crescimento econômico não foi concebido como medida de bem-estar. Simon Kuznets, que padronizou a mensuração do crescimento, avisou: “o bem-estar de uma nação dificilmente pode ser aferido a partir da mensuração de sua renda nacional”. O crescimento econômico, ressaltou, mede apenas o fluxo anual, e não os estoques de riqueza e sua distribuição.

Raworth salienta que no século XX a economia “perdeu o desejo de articular seus objetivos”. Ela aspirou ser uma ciência do comportamento humano: uma ciência baseada num retrato profundamente falho da humanidade. O modelo dominante – “o homem econômico racional”, autorreferido, isolado, calculista – diz mais sobre a natureza dos economistas do que sobre outros seres humanos. A perda de um objetivo explícito levou a disciplina a ser capturada por uma meta indireta: o crescimento sem fim.

O propósito da atividade econômica, argumenta Raworth, poderia ser “responder às necessidades de todos a partir dos recursos do planeta”. Ao invés de economias que “precisam crescer, independentemente de produzirem bem estar”, precisamos de economias que “assegurem bem estar, qu cresçam ou não”. Isso significa mudar nossa visão do que é a economia e de como ela funciona.

A principal imagem da economia mainstream é a de um diagrama de fluxo circular. Ela retrata um ciclo fechado de rendimentos de famílias, empresas, bancos, governo e comércio, operando num vácuo social e ecológico. Energia, materiais, o mundo natural, a sociedade humana, o poder, a riqueza que mantemos em comum: falta tudo isso no modelo. O trabalho não pago – das mulheres, principalmente – é ignorado, embora nenhuma economia possa funcionar sem ele. Assim como o homem racional econômico, essa representação da atividade econômica comporta pouca relação com a realidade.

Raworth começa por redesenhar a economia. Ela a incorpora nos sistemas da Terra e na sociedade, mostrando o quanto depende do fluxo de materiais e energia, e recordando que somos mais do que apenas trabalhadores, consumidores e proprietários de capital.

 

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A economia incorporada. Gráfico de Kate Raworth e Marcia Mihotich

 

Essa constatação de realidades inconvenientes logo leva à sua inovação: uma representação gráfica do mundo que desejamos criar. Como todas as melhores ideias, seu modelo de rosquinha parece tão simples e óbvio que você imagina por que não pensou nisso antes. Mas adquirir essa clareza e concisão requer anos de reflexão: uma grande faxina nos mitos e deturpações com que fomos formados.

O diagrama consiste em dois anéis. O anel interior da rosquinha representa a suficiência dos recursos de que necessitamos para levar uma vida boa: comida, água limpa, moradia, saneamento, energia, educação, cuidados de saúde, democracia… Qualquer pessoa que viva abaixo dessa linha, no buraco do meio da rosquinha, vive em estado de privação.

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A Rosquinha. Gráfico de Kate Raworth e Christian Guthier/The Lancet Planetary Health

O anel exterior da rosquinha consiste nos limites ambientais da Terra, para além dos quais provocamos níveis perigosos de mudanças climáticas, redução da camada de ozônio, poluição da água, desaparecimento de espécies e outros atentados ao mundo vivo. A área entre os dois anéis – a rosquinha – é o “espaço ecologicamente seguro e socialmente justo” no qual a humanidade deveria esforçar-se por viver. O propósito da economia deveria ser ajudar-nos a entrar nesse espaço e ali permanecer.

Assim como descreve um mundo melhor, o modelo da rosquinha nos permite ver, de imediato e de modo compreensível, o estado no qual nos encontramos agora. Neste momento nós violamos as duas linhas. Bilhões de pessoas ainda vivem no buraco do meio. E infringimos a fronteira externa em vários pontos.

 

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Onde nos encontramos agora. Gráfico de Kate Raworth e Christian Guthier/The Lancet Planetary Health

Uma economia que nos ajudasse a viver dentro da rosquinha procuraria reduzir as desigualdades com relação à riqueza e à renda. A riqueza decorrente das dádivas da natureza deveria ser amplamente compartilhada. Dinheiro, mercados, taxação e investimentos públicos seriam concebidos para conservar e a regenerar recursos, ao invés de dilapidá-los. Os bancos estatais investiriam em projetos destinados a transformar nossa relação com o mundo vivo, tais como transporte público de zero carbono e sistemas de energia comunitários. Novas métricas deveriam calcular a verdadeira prosperidade, e não a velocidade com a qual degradamos nossas perspectivas de longo prazo.

Esses objetivos nos são familiares, mas sem uma nova estrutura de pensamento é pouco provável que soluções parciais sejam bem sucedidas. Repensando a economia a partir de seus princípios fundamentais, Raworth possibilita que integremos nossas propostas num programa coerente, e possamos então verificar em que medida ele se realiza. Vejo a autora como a John Maynard Keynes do século XXI: ao reestruturar a economia, ela permite que mudemos nossa visão de quem somos, de onde estamos e do que desejamos ser.

Agora precisamos transformar suas ideias em política. Leia seu livro e exija daqueles que detêm o poder que comecem a trabalhar por seus objetivos: o bem estar humano, num mundo vivo.

Recorde de mudança climática ….

Recorde de mudança climática coloca o mundo em ‘território desconhecido’

 

O calor recorde que fez com que 2016 fosse o ano mais quente já registrado continuou em 2017, colocando o mundo em “território realmente desconhecido”, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial.

A avaliação da OMM do clima em 2016, publicada na terça-feira, reporta temperaturas sem precedentes em todo o mundo, níveis de gelo extremamente baixos em ambos os polos e um crescente aumento do nível do mar.

A reportagem é de Damian Carrington, publicada por The Guardian, 21-03-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

A mudança climática acontece, em grande parte, por emissões provenientes de atividades humanas, mas o forte El Niño – ciclo natural do clima – provocou ainda mais calor em 2016. O El Niño está diminuindo agora, mas os extremos continuam, com registros de temperatura em queda nos EUA em fevereiro e ondas de calor nos pólos reduzindo ainda mais as coberturas de gelo.

“Mesmo sem um El Niño tão forte em 2017, estamos presenciando outras mudanças notáveis em todo o planeta, que desafiam os limites da nossa compreensão acerca do sistema climático. Estamos em território realmente desconhecido”, disse David Carlson, diretor do programa de pesquisa da OMM sobre o clima mundial.

“A Terra é um planeta em convulsão devido a mudanças na atmosfera causadas pela ação humana”, disse Jeffrey Kargel, glaciologista da Universidade do Arizona, nos EUA. “Em geral, as mudanças drásticas das condições não auxiliam a civilização, que prospera na estabilidade.”

O relatório da OMM foi “alarmante”, declarou o professor David Reay, especialista em emissões da Universidade de Edimburgo: “a necessidade de uma ação concertada frente ao aquecimento global nunca foi tão gritante nem em níveis tão elevados”.

A nova avaliação da OMM também levou alguns cientistas a criticarem Donald Trump. “Embora os dados mostrem um impacto cada vez maior da atividade humana no sistema climático, o governo Trump e os republicanos mais experientes do Congresso continuam enterrando a cabeça na areia”, disse o Professor Robert Watson, importante cientista climático da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e ex-chefe do Painel de Mudanças Climáticas da ONU.

“Nossos filhos e netos vão olhar para trás, para quem negligenciou o clima, e perguntar como podem ter sacrificado o planeta por causa de combustíveis fósseis baratos, quando o custo da falta de ação é maior que o custo da transição para uma economia com baixo uso de carbono”, disse Watson.

Trump quer cortar as investigações sobre alterações climáticas, mas segundo o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, “o investimento contínuo em pesquisa e observações climáticas é vital para que o nosso conhecimento científico avance no mesmo ritmo acelerado das mudanças climáticas”.

O ano de 2016 representou a média global mais quente dentre os registros de temperatura desde 1880. Mas a pesquisa científica indica que a última vez que o mundo esteve tão quente foi 115.000 anos atrás e que o planeta não teve níveis tão elevados de dióxido de carbono na atmosfera em 4 milhões de anos.

Em 2017 os registros de temperatura continuam caindo, nos EUA, onde fevereiro foi excepcionalmente quente, e na Austrália, onde o calor extremo e prolongado atingiu muitos estados. As consequências têm sido particularmente brutais nos pólos.

“As condições de gelo do Ártico têm permanecido em um recorde de condições extremamente baixas desde outubro, o que persistiu por seis meses consecutivos, algo nunca antes visto [nas quatro décadas de registro de dados por satélite]”, disse a professora Julienne Stroeve, da University College London, no Reino Unido. “No hemisfério sul, o gelo do mar também quebrou novos recordes mínimos das escalas sazonais máximas e mínimas, levando à menor quantidade de gelo marinho mundial já registrada.”

Emily Shuckburgh, do British Antarctic Survey, disse: “O Ártico pode ser distante, mas as mudanças que ocorrem nele nos afetam diretamente. O derretimento de gelo da Groenlândia já está contribuindo para a elevação do nível do mar de maneira significativa e novas pesquisas destacam que o derretimento de gelo do mar Ártico pode alterar as condições meteorológicas em toda a Europa, Ásia e América do Norte.”

O nível global do mar aumentou entre novembro de 2014 e fevereiro de 2016 e o El Niño colaborou para a elevação dos oceanos em 15 mm. Esse salto teria levado cinco anos para acontecer considerando o aumento constante visto nas últimas décadas, à medida que as calotas polares derretem e os oceanos ficam mais quentes e expandem em volume. Os dados finais do aumento do nível do mar de 2016 ainda não foram publicados.

A mudança climática prejudica as pessoas mais diretamente pelo maior risco de eventos climáticos extremos e o relatório da OMM afirma que esses riscos elevados podem ser calculados cada vez mais. Por exemplo, há uma probabilidade dezenas de vezes maior de ondas de calor do Ártico e duas vezes maior de temperaturas elevadas como as que foram vistas na Austrália em fevereiro.
“Com os níveis de dióxido de carbono na atmosfera quebrando novos recordes constantemente, a influência da atividade humana no sistema climático tornou-se cada vez mais evidente”, disse Taalas.

 

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/566205-recorde-de-mudanca-climatica-coloca-o-mundo-em-territorio-desconhecido

 

APRENDER A PENSAR A VIDA E O BRASIL A PARTIR DOS SEUS BIOMAS

APRENDER A PENSAR A VIDA E O BRASIL A PARTIR DOS SEUS BIOMAS

 

A Campanha da Fraternidade deste ano é uma oportunidade que a Terra e Deus estão dando a todos nós, brasileiros e brasileiras, para refletir criticamente sobre a situação em que se encontram os seis – ou sete – berços vivos e geradores de vida – os biomas – em que os seres humanos, a rica biodiversidade e tudo que constitui estes diferentes ambientes vitais.

Seria muito pouco, mesmo se ponto de partida indispensável, que o diálogo se limitasse a uma constatação, uma descrição superficial da realidade de cada bioma. A oportunidade está aberta tanto para dar-se conta que os desequilíbrios causados pelas diferentes ações humanas em cada bioma têm tudo a ver com as mudanças climáticas que se agravam a cada dia que passa. E têm tudo a ver com a crise da solidariedade entre os biomas, indispensável para que a vida continue possível. É o que acontece, por exemplo, com as crises de água no Cerrado e na Mata Atlântica do Sudeste brasileiro provocadas, ao mesmo tempo, pela destruição da sua cobertura vegetal para implantar projetos de monoculturas do sistema do agronegócio e grandes cidades, e pelo crescente desmatamento também da floresta da Amazônia. Com isso, diminui e já não chega com a generosidade natural nestes biomas o Rio Voador gerado pela umidade que a floresta envia para a atmosfera, e para eles se desloca com os ventos que mudam de direção ao encontrarem pela frente as montanhas da Cordilheira dos Andes.

Por isso, o que precisa ser enfrentado é o sistema de produção e de vida que, por ser comandado pelas empresas capitalistas, continua teimando em que seria possível um crescimento econômico sem fim num planeta finito, que seria possível viver sem florestas, que se pode contaminar rios, mares e aquíferos, solos, subsolos e atmosfera… E que, em função da pretensamente natural livre iniciativa capitalista, o consumismo não pode parar, assim como a especulação e a concentração da riqueza.

Como relembra insistentemente o Papa Francisco, fazendo eco ao grito dos povos indígenas e dos cientistas que se negam a aceitar que seus conhecimentos sejam utilizados como propriedade do capital, esse é um sistema que mata. Mata a vida de cada bioma, de todos os biomas, de toda a Terra, e mata a biodiversidade e seres humanos, tanto através da pobreza mantida e agravada, seja através de produtos contaminados e modificados geneticamente.

Disposto a contribuir com esse debate sobre os biomas do Brasil e sobre o que fazer para enfrentar o que foi degradado, e de modo especial para repensar o Brasil a partir de seus biomas, avançando em outras formas de vida, de produção e de convivência com o ambiente da vida, tomei da decisão de disponibilizar gratuitamente a versão digital do livro BIOMAS DO BRASIL – da exploração à convivência. Está originalmente no Site fmclimaticas.org.br, mas sugiro que seja anunciado e disponibilizado também por este Portal de Notícias. O contato com o autor, IVO POLETTO, pode ser feito pelo e-mail ivopoletto@uol.com.br.

 

Baixe aqui:

 

http://fmclimaticas.org.br/wp-content/uploads/2017/03/livro_BIOMAS_DO_BRASIL_2017_final.pdf

 

 

 

 

Francisco lastima a “distração” dos políticos no combate às mudanças climáticas

Francisco lastima a “distração” dos políticos no combate às mudanças climáticas

Os políticos estão “distraídos” na busca por medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa por causa de uma política e de uma economia que se voltaram para o lucro, disse o Papa Francisco a um grupo de cientistas reunidos no Vaticano.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux – Taking The Catholic Pulse, traduzida por Isaque Gomes Correa, 28-11-2016.

A duas semanas do aniversário de um ano da assinatura do Acordo de Paris para combater as mudanças climáticas, o Papa Francisco denunciou aquilo que chamou de “distração”, ou atraso, dos políticos na implementação deste e de outros acordos semelhantes.

Como resultado do acordo alcançado na COP-21 em dezembro de 2015, a maioria dos países concordou em reduzir o aquecimento global, diminuindo as emissões de carbono, entre outras medidas. Para muitos analistas, a encíclica do Papa Francisco Laudato Si’ foi considerada como o ponto de inflexão para mover a balança a favor do acordo Paris.

“A submissão da política à tecnologia e a uma economia que busca lucro acima de tudo é demonstrada na distração, ou no atraso, na implementação dos acordos mundiais sobre o meio ambiente e nas guerras continuadas de dominação disfarçadas de nobres reivindicações”, contou o pontífice aos membros da Pontifícia Academia para as Ciências, que se reúne em Roma para uma sessão plenária.

Estas guerras, acrescentou, causam sempre mais prejuízos ao meio ambiente e à riqueza moral e cultural dos povos. A Pontifícia Academia possui uma lista de membros composta pelos mais respeitados nomes da ciência do século XX, como o falecido de Ernest Rutherford, conhecido como o pai da física nuclear, e o cosmólogo Stephen Hawking, que listou o São Papa João Paulo II como uma das pessoas que alimentaram o seu interesse pela origem e destino do universo.

O seu atual presidente é Werner Arber, vencedor do Prêmio Nobel. Arber é o primeiro protestante à frente do cargo.
A sessão plenária que acontece entre os dias 25 e 29 de novembro deste ano está focada nas contribuições que a ciência pode trazer para a sustentabilidade, ou seja, os impactos do conhecimento científico e da tecnologia na sociedade e no meio ambiente.

Na segunda-feira, Francisco disse que os homens e as mulheres modernos “cresceram achando-se os donos e senhores da natureza”, com o direito de saqueá-la “sem qualquer consideração de seu potencial oculto e das leis de desenvolvimento, como se sujeitando a matéria inanimada aos nossos caprichos”. Segundo ele, esta mentalidade levou a muitos males, incluindo “uma grave perda para a biodiversidade”.

“Não somos os guardas de um museu em que, todas as manhãs, temos de limpar o pó às obras-primas que lá estão. Somos, sim, conservadores do desenvolvimento do ser e da biodiversidade do planeta, bem como da vida humana presente aí”, completou. Falando a uma sala cheia de cientistas, Francisco lamentou “a facilidade com que a opinião científica bem fundamentada sobre o estado de nosso planeta é negligenciada” pela política internacional.

Também pediu à Academia – criada em 1847 para substituir uma antiga organização vaticana certa vez chefiada por Galileu Galilei – para que faça a frente em uma caminhada na direção do desenvolvimento sustentável, fornecendo soluções gerais e específicas a questões como a água, formas de energias renováveis e segurança alimentar. Disse ainda que é essencial criar um sistema que assegure a proteção dos ecossistemas antes que as “novas formas de poder”, derivadas do “modelo tecnocrata, “produzam danos irreversíveis não somente ao meio ambiente, mas também à convivência, à democracia, à justiça e à liberdade”.

Falou aos membros da Pontifícia Academia que a conversão ecológica que ele quer promover “requer a plena assunção da responsabilidade humana para com a criação e os seus recursos e a busca da justiça social e a superação de um sistema injusto que produz miséria, desigualdade e exclusão”.

Dessa forma, cabe aos cientistas – que “trabalham livres de interesses políticos, econômicos e ideológicos” – construir um modelo cultural capaz de enfrentar a crise das mudanças climáticas e suas consequências, garantindo que o “amplo potencial de produtividade não esteja reservado somente para uns poucos”.

No entanto, apesar do que descreveu como a lentidão dos políticos em agir e o desprezo deles pelas evidências científicas quanto aos perigos das mudanças climáticasFrancisco vê sinais encorajadores de uma “humanidade que quer reagir, escolher o bem comum e regenerar-se com responsabilidade e solidariedade”.

papa argentino fez da luta contra o aquecimento global uma das principais questões sociais de seu pontificado, pregando sobre a necessidade de proteger a criação divina desde a sua primeira homilia em março de 2013.
O objetivo do acordo de Paris, assinado em dezembro passado por 195 nações durante a chamada Cúpula da COP-21, deve reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa em cerca de metade. Isso evitaria um aumento nas temperaturas atmosféricas de 2º C.

Se não alcançarmos este objetivo, dizem os cientistas, o mundo irá se ver trancado em um futuro com consequências devastadoras, com o aumento do nível do mar, secas severas e inundações, escassez generalizada de alimentos e água e mais tempestades destrutivas.

Em parte, o acordo é juridicamente vinculativo e, em parte, voluntário, entrando em vigor em 2020. O presidente-eleito dos EUA Donald Trump prometeu retirar o país do acordo.

http://www.ihu.unisinos.br/562901-francisco-lastima-a-distracao-dos-politicos-no-combate-as-mudancas-climaticas

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