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História geológica do estado de Santa Catarina

Texto produzido para o Processo de Formação Continuada e Multiplicadora do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social.

 

Autores: Luciano Henning, Fabio Miranda, Gilso Giombelli, Tamirys Taborda, Ezequiel Giaretta e Aline Justino

Redação final: Luciano Henning, Fabio Miranda e Gilso Giombelli

 

 

Há mais 270 milhões de anos, a África, América do Sul, Índia, Austrália e Antártica estavam juntas, formando o Continente de Gondwana.

 

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Figura 1: Blocos constituintes do continente de Gondwana, com setas indicando os principais movimentos relativos  (Modificado de “Enciclopédia: A Aventura da Vida, 1997”).

 

Uma  grande depressão na porção sudoeste do Gondwana foi aos poucos sendo preenchida por sedimentos (areia, sílte e argila de rios e geleiras, depois marinhos, passando de novo a continentais – praias, flúvio-deltáticos, até desérticos), em camadas que recobrem o embasamento cristalino e que constituem hoje o conjunto das rochas sedimentares gondwânicas da Bacia Geológica do Paraná (SCHEIBE et al. 2010).

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Figura 2: Bacia do Paraná. (“Ma” significa milhões de anos)

http://www.plantasdeaquario.com/geologiaregional.htm

Para o Estado de Santa Catarina dois momentos podem ser destacados neste processo (SCHEIBE et al. 2010):

No período Permiano (entre 270 e 230 Ma), o desenvolvimento de densas florestas que, cobertas pelas águas e submetidas à ação de bactérias anaeróbicas, à pressão e ao aumento de temperatura pelo soterramento, vieram a constituir as camadas de carvão da Formação Rio Bonito, que ocorrem em superfície na chamada Região Carbonífera do Sul de Santa Catarina;

Nos períodos Triássico e Jurássico (entre 230 e 130 Ma), a formação de um imenso deserto, conhecido no Brasil como Deserto de Botucatu, originando um pacote de arenitos porosos e permeáveis, com 100 a 200m de espessura: o atualmente famoso Aquífero Guarani.

 

E as terras se movem

Segundo a teoria da Tectônica de Placas, há cerca de 180 milhões de anos teve início o processo de fragmentação do Gondwana, conhecido como Deriva Continental. À medida que os continentes se afastavam, (à velocidade de alguns centímetros por ano), o magma basáltico proveniente do manto da terra ia formando o fundo dos novos oceanos – como o Oceano Atlântico, que até então não existia (SCHEIBE et al. 2010).

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Figura 3: Esquema evolutivo de fragmentação de uma massa  continental e formação de crosta oceânica.   (modificado de Tassinari, 2000)

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 Figura 4: Aspecto atual do fundo do oceano Atlântico conforme Carte du fond des oceans, Le Pichon, s/d.

 

Esse mesmo tipo de magma penetrava pelas antigas fraturas da crosta continental, reativadas pelos movimentos tectônicos, espalhando-se então em camadas sucessivas sobre as areias do deserto, e formando um pacote com espessura de centenas de metros de rochas vulcânicas básicas, intermediárias e ácidas que constituem a Formação Serra Geral e que sustentam os Campos de Cima da Serra (SCHEIBE et al. 2010).

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Figura 5: Bloco diagrama representando os diversos derrames basálticos  (Sistema Aquífero Serra Geral, tipo fraturado ) sobre a formação Botucatu (Sistema Aquífero Guarani, tipo poroso).

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Figura 6: Mapa geológico de Santa Catarina (SC).

 

No mapa Geológico de SC podemos classificar a litologia  através de 4 faixas, norte sul:

Primeira faixa: em amarelo, começando pelo litoral, rochas sedimentares, sedimentos de rio e marinho (rochas mais recentes);

Segunda faixa: em vermelho, rochas do embasamento cristalino (rochas mais antigas);

Terceira faixa: em cinza e marrom, são as rochas sedimentares Gondwânicas;

Quarta faixa: em verde, todo o Oeste do Estado, coberto pelas rochas basálticas da formação Serra Geral (aquífero fraturado).

 

 

Surgimento da Cordilheira dos Andes

             O processo de separação coincidiu com a formação da Cordilheira dos Andes, no lado oeste da América do Sul, provocando um basculamento do continente e o soerguimento de toda a margem Atlântica: de Joinville para o norte, formou-se então a Serra do Mar, e daí para o sul, as íngremes encostas conhecidas como a Serra Geral, especialmente majestosas na Região Sul de SC (SCHEIBE et al. 2010).

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Figura 7:Imagem da encosta da Serra Geral, após as grandes enxurradas do natal de 1995 (foto Pellerin, fev./1996).

 

Na Era Terciária (25 milhões de anos), começa o soerguimento da Cordilheira dos Andes. A elevação desta cadeia de montanhas a oeste do continente americano ocasionou a formação do anfiteatro onde passam a correr rios que constituem a maior bacia hidrográfica do mundo, a Bacia Amazônica, responsável por 1/6 de toda a água doce do planeta. Este soerguimento alterou, inclusive, toda a circulação atmosférica até então dominante (deserto de Botucatu no sul do Brasil) (PORTO-GONÇALVES, 1989).

Com esta mudança da circulação atmosférica a umidade proveniente da floresta Amazônia encontra-se com a cordilheira dos Andes fazendo que a umidade consiga chegar até o sul da Argentina e principalmente na Bacia do Prata, formando o chamado “Rios Voadores”. Isso explica por que no sul do Brasil não é um deserto.

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   Figura 9: Interligação entre a Bacia Amazônica, Bacia do Prata e Sistema Integrado Guarani/Serra Geral.

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 Figura 10: Principais desertos estão localizados nos trópicos, com exceção da Bacia do Prata.

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Referências:

 

Documentário: agua_vida:

https://www.youtube.com/watch?v=xg4AskwW0HY

 

Laboratório de Analise Ambiental (LAAm)

http://laam.ufsc.br/

 

LEFF, Enrique. Et al. Manifesto pela Vida: Por uma Ética para a Sustentabilidade. 2002.

http://www.mma.gov.br/estruturas/educamb/_arquivos/manifestovida.pdf

 

Palestra do Professor Ademir Reis na abertura da Campanha da Fraternidade (ALESC)

https://drive.google.com/file/d/0B8NzC75TrtDXS1ZwbGRxT0JVZE0/view

 

Projeto Rede Guarani/Serra Geral

http://www.rgsg.org.br/

 

PORTO-GONÇALVES, Carlo Walter. Amazônia: ecologia, demografia e soberania contribuição para uma reflexão crítica. GEOSUL, n. 9 – 8 – Ano IV – 29 semestre de 1989.

https://periodicos.ufsc.br/index.php/geosul/article/view/12715/11884

 

 

SCHEIBE, Luiz Fernando. Sustentabilidade e as dinâmicas da natureza e do meio ambiente. Apresentação na Disciplina: Análise da Qualidade Ambiental do Programa de Pós Graduação em Geografia – UFSC. 2011.

http://laam.ufsc.br/files/2011/05/sustentabilidade-e-as-Dinamicas.pdfhttp://laam.ufsc.br/

 

SCHEIBE, Luiz Fernando. BUSS, Maria Dolores. FURTADO, Sandra Maria de Arruda. Atlas Ambiental da Bacia do Rio Araranguá. Florianópolis: UFSC. Ed. Cidade Futura. 2010. 64p.

 

SOUZA, Marcelo Lopes de. O Desafio Metropolitano: um Estudo Sobre a Problemática Socio-espacial.  Editora: Bertrand Brasil. 2000.

 

Os rios do Cerrado podem secar dentro de 25 anos

Os rios do Cerrado podem secar dentro de 25 anos

 

Grandes rios como o Araguaia, o Tocantins e o São Francisco caminham para o fim.

 

Os nossos Cerrados estão se transformando com a tomada avassaladora das áreas nativas pelas culturas do agronegócio. O prognóstico não é bom. A retirada da vegetação nativa diminui a capacidade do solo acumular água. A mata nativa do Cerrado chega a ter dois terços de sua massa embaixo da terra, é como se fosse uma floresta de cabeça pra baixo. As pequenas árvores raquíticas escondem um sistema subterrâneo vivo que se desenvolveu na história do planeta como o bioma mais antigo hoje existente no planeta. Essa rede subterrânea forma um sistema simbiótico com os lençóis freáticos, facilitando a permeabilidade da terra para a água das chuvas e favorecendo a alimentação dos lençóis freáticos subterrâneos. Ao mesmo tempo o rebaixamento dos lençóis freáticos seculares faz secarem as nascentes a começar pelos lençóis superficiais e por fim vai atingir os lençóis mais profundos. Isso quer dizer que nossos rios vão desaparecer. Segundo o professor Altair Salles Barbosa, o maior pesquisador do Cerrado, esse processo já atinge alguns pequenos riachos, mas deve chegar aos grandes rios, que deixarão de correr dentro de apenas 25 anos.

 

O potencial destrutivo desse processo é de inviabilizar não apenas os imensos projetos do agronegócio que retiram a vegetação nativa para dar espaço para lavouras e pastagens mas também cidades inteiras, podendo transformar nossa região se não em uma espécie de deserto, em um sistema muito parecido com a caatinga.

 

Já podemos ver esse processo acontecendo nos nossos grandes rios, o Araguaia e o Tocantins, que cada ano perdem parte do seu caudal. Em Ceres o Rio das Almas, que já foi um rio majestoso, profundo e perigoso, com corredeiras rápidas e implacáveis, hoje é um conjunto de poças de água mal cheirosa entre ilhas de pedra. As lavouras atacam o rio duplamente. Além de acabar com suas nascentes bombeiam enormes quantidades de suas águas para irrigar suas culturas. Quem anda pelo Cerrado estranha o contraste da sequidão da vegetação e pastagens com o verde das lavouras em plena época de seca. Para estas não falta agua; ainda.

 

Para nós que habitamos o Cerrado só resta fazer uma profunda mudança na nossa forma de viver e lidar com a terra. Plantar o máximo de árvores possível para que a água se mantenha no solo, recuperar as matas das nascentes e as matas ciliares dos rios, escolher melhor nossas culturas para explorar os recursos naturais com mais sensatez e por fim rezar para que o processo de rebaixamento dos lençóis freáticos seja atenuado. Recuperar a cobertura de cerrado não será mais possível porque essa vegetação não pode ser replantada e isso pode já ter condenado nossos rios que pelas previsões da ciência não voltarão a correr como antes nunca mais.

 

Além do Professor Altair, o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire já observava a não regeneração expontânea dos Cerrados quando fez suas viagens pela Província de Goiás, em 1819. Em seu livro “Viagem à província de Goiás” ele diz: “Parece que fizeram em outros tempos plantações no meio da mata, pois em vários trechos vêem-se grandes clareiras tomadas pelo capim-gordura, planta que, como sabemos, é indício infalível de antigos desmatamentos.” (Pag 96) Ainda em outro trecho: “No meio da mata existem amplas clareiras onde nasce unicamente o capim-gordura (…) Essas clareiras tinham sido outrora cobertas de matas, que foram derrubadas para o cultivo da terra. Por fim foram invadidas pelo capim-gordura.” (pag 45) Para Altair, apesar de não ser possível recuperar o cerrado, é possível desenvolver técnicas para transformá-lo em matas e florestas. Assim, teremos que criar um novo cerrado através de muita pesquisa para escolher espécimes capazes de recompor nossa vegetação, e temos que fazer isso logo.

 

Quando a água acabar, os empreendimentos vão embora. Nós vamos ficar aqui para viver e sobreviver do que houver resultado.

 

Gerson Neto

Colaborador do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social

Amazônia: agroecologia feminista contra o latifúndio

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Sandra Pereira e Selma Ferreira, duas das associadas da Amabela, Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Município de Belterra / Bob Barbosa

Animadora exceção no Pará — Estado onde os ruralistas mais matam e devastam. Uma associação agrícola revela que o ser humano pode conviver com a floresta; e que o machismo caboclo também cede

Por Bob Barbosa, no Brasil de Fato

“Aqui no centro, a minha área é pequena: um terreno de 15 metros de frente por 100 metros de fundo. Eu desenvolvo nessa propriedade vários plantios. Tudo que eu vou pegando, vou plantando. Eu tenho maracujá, cupu [é o mesmo que cupuaçu], açaí, pupunha, banana, enfim, uma variedade de frutas no meu quintal, além da criação de galinhas. Lá no lote do interior, a gente planta arroz, milho, banana, macaxeira, maniva, a produção de mandioca né. Lá eu tiro também cupu e café. São poucas coisas que eu consumo do comércio. A minha produção primeiramente é para a minha mesa, depois para a do vizinho. Primeiro para a minha alimentação, O excedente a gente tira para vender, para comprar algo que a gente precisa.”

Maria Irlanda de Almeida, 56 anos, que é da comunidade de Tauari, na Floresta Nacional (Flona) Tapajós, tem um lote de 100 hectares no interior de Belterra, para os lados da BR-163. Ela também tem uma pequena propriedade na área urbana e faz parte da Amabela, a Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Município de Belterra, no interior do Pará. 

Nesta reportagem, as agricultoras contam que o fato de se organizarem também por gênero lhes deu autonomia em relação aos seus companheiros, por exemplo. Parte desse empoderamento se dá pela comercialização dos produtos, não só pelo benefício financeiro, mas também pela possibilidade de viajar, conhecer outras pessoas, ampliar os horizontes. 

Um dos desafios das trabalhadoras rurais da Amabela, desde o início, é dar vazão ao excedente da produção, garantindo a comercialização do que elas produzem.

A agricultora Selma Ferreira, avalia que “a maioria das nossas mulheres trabalha dentro da cidade de Belterra e a ideia dos quintais produtivos é voltada para elas, que são rurais e urbanas ao mesmo tempo. Elas plantam dentro dos seus quintais, fazem a divisão, o canteiro, plantam frutas, fazem o galinheiro, de tudo um pouco. De dentro desse quintal produtivo elas tiram o seu próprio alimento.”

Mas, segundo Selma, elas também doam, trocam com as vizinhas e vendem para arrecadar um pouco de renda para a família. Assim, as mulheres levam os produtos para comercialização nas feiras e vendem também em suas casas.

“Hoje a gente tem um local, o ‘Cantinho da Amabela’, que fica no Centro Turístico de Belterra, ao lado da prefeitura. Lá, a gente vende nossos artesanatos, nossas plantas, nossas frutas, nossas sementes, nosso alimento, nossos sabores.”

Todas as quintas, por exemplo, elas se deslocam 51 quilômetros até Santarém para participar da Feira da Agricultura Familiar da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará), onde se expõe, além dos produtos da Amabela, também a produção agrícola e extrativista, in natura e beneficiada, de Santarém e Mojuí dos Campos.

“Para a feira na Ufopa a gente leva de tudo: biscoito, licor, galinha caipira, ovo, beiju, pé de moleque, bolo, tudo que a gente consegue fazer na agricultura familiar. O que a gente produz a gente leva. Para a feira vamos com um grupo de oito mulheres da Amabela. Saímos daqui de Belterra às 5h da manhã numa van e chegamos em Santarém às 6h30 da manhã. Quando chegamos lá a gente põe nossas coisas num carrinho de mão e empurra até a Ufopa para serem comercializadas. Essa é a parte mais difícil”, diz Lindalva Castro.

Maria Irlanda reforça que “através da Amabela a gente já teve várias oportunidades em relação a venda, de expor a nossa produção em vários lugares. Aqui no CAT (Centro de Atendimento ao Turista), por exemplo, nós temos essa oportunidade dada pela prefeitura de Belterra. A gente veio para esse espaço e trouxemos a nossa produção. Com a Amabela, também, a gente participa dos cursos, dos treinamentos, das capacitações que surgem”.

Sandra da Silva, a agricultora que voltou a gostar de agricultura após fazer parte da Associação, ressalta a importância das capacitações. “Já fiz alguns cursos pela Amabela: plantas medicinais, manejo de galinhas caipiras, como a gente deve plantar as hortaliças, de sandálias de borracha, achei muito bom e ainda tem outros que eu estou esperando para a gente melhorar mais nossa capacidade de crescer.”

Com apoio da Casa Familiar Rural, a Amabela realiza também a exposição “Sementes, Sabores e Saberes”, em que as agricultoras compartilham sementes crioulas, divulgando a importância de se trabalhar com elas. Outro apoio importante vem da prefeitura, que cede o espaço do Centro de Atendimento ao Turista, para que elas tenham um local permanente para a venda dos produtos.

Quebrando barreiras

Mas por que ter uma associação só de mulheres agricultoras?

Acompanhando a Amabela desde a sua concepção, Sara Pereira, educadora popular da Fase Amazônia, recorda que “nos programas de formação com elas, a gente percebeu – e elas também – que existem muitas demandas são específicas das mulheres e que, pela dimensão do sindicato, elas acabam não sendo contempladas. Porque a associação de mulheres agricultoras não discute apenas o aspecto produtivo, que é importante e fundamental, mas trata de questões do feminismo, sobre qual a importância de se organizar enquanto mulheres, das pautas que são específicas delas, das questões relacionadas ao acesso à saúde, aos direitos previdenciários. E também as questões relacionadas aos relacionamentos, não só relacionamento familiar com os filhos, mas também com o companheiro, com o esposo.”

Selma confirma essa avaliação, ao lembrar que nas famílias tem muita resistência, por exemplo, dos homens. “Há maridos que compreendem e até ajudam a associação, mas tem outros que privam elas. A Amabela veio para que essas mulheres tenham autonomia. E os homens não estavam acostumados a isso, não tinham esse costume. A mulher deles era para ficar só dentro de casa, lavar louça, limpar a casa, cuidar de filhos. Cama, mesa e banho. E hoje, não. Hoje as mulheres saem da porta para fora, e essa é a maior dificuldade. Tem muitas que ainda não tem essa força de enfrentar. Os filhos homens também reclamam muito: ‘a mamãe não para mais em casa, isso não está certo, papai, tem que fazer a mamãe ficar dentro de casa, mesmo’. Então isso cria uma dificuldade muito grande para as mulheres.”

Sandra concorda: “Para mim, a Amabela representa a nossa liberdade, a gente poder fazer aquilo que a gente acha que deve fazer, porque ainda tem muitas mulheres presas naquilo que só diz respeito ao marido.”

Nesse sentido, Sara salienta que “quando elas se organizaram na Amabela, perceberam que podiam ir para além do aspecto produtivo”. Isso porque a associação é uma ferramenta onde elas se solidarizam umas com as outras, “porque elas compartilham as histórias e uma ajuda a outra, não só na produção, mas com relação aos problemas familiares, no cotidiano, na luta”.

As reuniões da associação proporcionam também um ambiente de reflexões e questionamentos. Selma conta que “a gente senta dentro da roda de conversas e tem umas que não querem contar o que está acontecendo.

“‘Ah, a fulana hoje não apareceu no nosso encontro, o que está acontecendo?’. Aí, aquela que sabe já conta, e nós vamos tentando resolver. A gente não tem um estudo ou a capacidade de fazer com se quebre algumas barreiras, mas muita coisa a gente consegue resolver dentro da roda de conversa”.

Como afirma Sara, “a Amabela é muito mais do que uma ferramenta do ponto de vista produtivo. É uma ferramenta de libertação para essas mulheres, na busca pela sua autonomia, pelo seu empoderamento, pela sua participação política na sociedade”. Ou como diz Selma, ao falar das companheiras da Amabela:

“Quando eu lembro os olhinhos, os sorrisos, a alegria de cada uma em poder mostrar que sabem fazer… Só de elas dizerem ‘eu sei’, ‘eu posso’, ‘hoje eu consigo’… É maravilhoso!”

Fonte: http://outraspalavras.net/outrasmidias/capa-outras-midias/na-amazonia-agroecologia-feminista-contra-o-latifundio/

 

Organizações e movimentos defendem florestas fora de mercados de carbono em carta ao governo brasileiro

Organizações e movimentos defendem florestas fora de mercados de carbono em carta ao governo brasileiro

Mudanças colocariam em risco a integridade ambiental do país e do planeta, além da arquitetura do Acordo de Paris

São Paulo, 12 de julho – Mais de 50 organizações e movimentos sociais brasileiros que atuam em pautas relacionadas a meio ambiente, direitos humanos, direitos dos trabalhadores, povos indígenas e povos e comunidades tradicionais protocolaram no Ministério do Meio Ambiente e no Ministério das Relações Exteriores a “Carta em defesa da posição histórica do Brasil sobre offsets florestais”. Trata-se de uma reação a tentativas de viabilizar o uso de florestas em mercados de compensação de emissões de carbono (offsets), medida vista como falsa solução ao desafio das mudanças climáticas.  .

“Alguns atores têm usado o momento de negociação da implementação do Acordo de Paris, a crise política e a turbulência econômica pela qual o país e o mundo passam como pretexto para demandar medidas a favor de offsets”, afirmam as organizações. Segundo elas, o esforço beneficiaria aqueles que continuariam emitindo gases de efeito estufa ou receberiam recursos mobilizados, mas traria graves conseqüências para o Brasil e o mundo.

Na Carta, elas apontam oito justificativas para considerar os offsets florestais uma medida que apenas agravaria a crise climática. Entre os argumentos, está a falsa equivalência entre o carbono emitido por combustíveis fósseis e o capturado pelas árvores; o aprofundamento de desigualdades; e o fato de que a compensação via offsets geraria incentivos para países segurarem a ambição de suas metas de redução de emissões perante a ONU.

Desta forma, as signatárias defendem o posicionamento histórico do Brasil de não considerar projetos de redução de desmatamento, conservação e recuperação de florestas elegíveis para a geração de créditos de carbono. “Não podemos desviar a atenção das verdadeiras soluções e das políticas necessárias de enfrentamento à crise climática”, afirmam.

A Carta na íntegra pode ser encontrada clicando aqui: PDF

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